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NOS Alive: A dança de Stromae tem todas as cores do mundo (e o mais belo sorriso)

7 julho 2022 3:47

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

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Stromae no NOS Alive 2022
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Stromae no NOS Alive 2022

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Stromae foi um anfitrião de grande elegância e ecletismo, no fecho do palco principal do NOS Alive, neste primeiro dia de festival

7 julho 2022 3:47

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Nascido há 37 anos em Bruxelas, filho de mãe belga e de pai ruandês, Paul Van Haver, conhecido das tabelas de vendas e dos grandes palcos como Stromae, é uma estrela singular. Ainda que tenha tido numerosos êxitos, sobretudo com os seus dois primeiros álbuns, "Cheese", de 2010, e "Racine Carrée", lançado três anos mais tarde, não é uma figura de quem se ouça falar com frequência, por motivos extra-musicais. Aliás, após um problema de saúde em 2015, ano em que cancelou a atuação no NOS Alive, o músico deixou de aparecer em público durante alguns anos, conduzindo a sua vida de forma particularmente reservada. Esta discrição, por paradoxal que possa parecer, aplica-se à sua presença em palco. Nesta primeira noite de festival, o espetáculo de Stromae distinguiu-se pela musicalidade e pelo conceito, que engloba som e imagem (nos ecrãs, vão surgindo divertidas versões animadas do nosso anfitrião e outras ilustrações das histórias que as canções contam). Apoiado por quatro músicos a quem agradece profusamente, o homem de 'Alors On Dance' está no centro da ação - cantando, falando (em francês, inglês e português!) com o público, dando uns suaves passos de dança. Mas a sua conduta é de uma elegância quase tímida, o que torna bastante curioso o seu primeiro concerto em Portugal.

A estreia de Stromae no país que, no início do espetáculo, aparece iluminado a vermelho no mapa começa quando faltam quinze minutos para a uma da manhã, no maior palco do festival. Com Monsieur Van Haver chegam, deslizando, quatro músicos em plataformas brancas. Todos estão vestidos de igual, como que envergando o mesmo uniforme nesta fábrica de alegria. Dando a cara pela equipa, Stromae - nome que é um anagrama de "maestro" - mostra-nos os vários planetas da sua galáxia, do hip-hop de 'Invaincu', logo na abertura do concerto, à world music que permeia muitos dos seus temas, mesmo os mais marcadamente eletrónicos. Fã de Jacques Brel mas também de eurodance, cujo valor defende lembrando que o género foi beber à salsa e à house, Stromae cita também como influência as viagens que fez com a mãe, em jovem, à América Latina e a África. E efetivamente há, na sua sonoridade, muita da chamada world music, integrada com naturalidade e paixão entre outras peças de um puzzle sempre colorido.

Cantor expressivo e entertainer delicado, Stromae espalha alegria em 'Fils de Joie' ou 'Tous Les Mêmes' (e que refrescante é ouvir uma língua que não o inglês nestas andanças), mas a maior euforia começaria por chegar com 'Papaoutai', canção do seu segundo disco, que alude a uma figura paternal ausente (Pierre Rutare, o seu pai, foi morto no genocídio do Ruanda, em 1994, mas teria tido pouca presença na vida do filho até então, refletindo a letra o receio de Stromae em seguir esse exemplo). Que se consiga abordar tal temática com a graça e leveza de 'Papaoutai' (corruptela de 'Papa, où t'es?', ou seja, "papá, onde estás?") diz muito sobre a fibra e a mensagem da pessoa que hoje fechou o maior palco do NOS Alive.

Mesmo quando convida os espectadores a acompanharem o seu maior êxito, 'Alors on Danse', com uma dança do Tik Tok, Stromae é cortês e nunca perde o sorriso contagiante; logo de seguida e antes do adeus emocionado, pede à plateia que faça silêncio, pois irá cantar, a cappella com os seus quatro músicos, a canção 'Mon Amour', do mais recente "Multitude". O silêncio foi o possível num festival com vários palcos em funcionamento, mas a imagem dos cinco músicos em círculo, dando voz a um tema com algo de folclore ancestral, prova pelo menos duas coisas: que haverá certamente uma raiz comum às músicas tradicionais de todo o mundo e que Stromae, na sua paixão por eletrónica e Cesária Évora, Brel e rumba congolesa, não é um artista comum. Talvez parte do público tivesse preferido, para fechar a noite, uma eletrónica mais convencional, mas a dança do autor de 'Formidable' é assim mesmo: multicolor, capaz de abarcar vários mundos e disposta, também, a receber toda a gente na sua festa.