Coronavírus

República Checa: de exemplo a caso preocupante, com milhares de novas infeções diárias. Há novas medidas a partir desta sexta-feira

18 setembro 2020 12:24

A República Checa chegou a ser dada como exemplo no tempo de resposta à pandemia. Seis meses depois, é um dos casos que mais preocupa na Europa

gabriel kuchta

Na quarta-feira, a República Checa foi notícia por superar pela primeira vez os dois mil casos num só dia. Problema: na quinta, foram três mil. O país com uma população próxima da de Portugal, que também chegou a ser exemplo na contenção da pandemia, volta esta sexta às restrições. E mesmo com um Governo que resiste a nova quarentena, não é certo que fique por aqui

18 setembro 2020 12:24

Um dia depois de superada a barreira das duas mil infeções em 24 horas (2.139), a República Checa voltou a superar um máximo diário. Foram detetados só esta quinta-feira 3.130 novos doentes com covid-19, um aumento de 46%, em linha com o que se tem verificado nos últimos dias.

Essa é a principal preocupação das autoridades de saúde: não só o valor absoluto dos casos, mas o ritmo a que crescem, num país cuja população não anda longe da portuguesa, cerca de 11 milhões de habitantes. E se é verdade que o total fica ainda bem abaixo do português — 44.155 casos confirmados desde o início da pandemia, quando em Portugal está em 66.396 —, as pessoas com o vírus ativo no organismo, e por isso potenciais transmissoras, são já mais de 20 mil.

É por causa desse indicador que os bares e restaurantes da República Checa vão passar a fechar à meia-noite a partir desta sexta-feira. E, nas escolas, os alunos do 5.º ano em diante vão passar a usar máscara dentro e fora da sala de aula. O ministro da Saúde checo, Adam Vojtech, deu como justificação a subida do RT, o número de pessoas que cada doente infeta e que vai agora em 1.6, mas insistiu que a ideia não é fechar o país.

A República Checa chegou a ser dada como bom exemplo na contenção do vírus, tal como Portugal e sensivelmente na mesma altura. Ainda não é claro o que motivou uma subida a tão alto ritmo e, avança a Reuters, o Governo checo pode não ficar por aqui. A travá-lo está a experiência da primeira quarentena, logo em março, que levou a uma contração da economia a rondar os 11% no segundo quadrimestre, se comparado com o período homólogo em 2019.

Além da limitação aos bares e restaurantes, o Governo checo exigiu um reforço das máscaras em espaços fechados e diminuiu a capacidade de alguns eventos que obrigam o público a ficar de pé, limitando-os aos lugares sentados. Pediu também à população que evite esses eventos, mesmo que por lei não estejam proibidos.

Se ajustadas as infeções ao total da população, a República Checa é agora o terceiro país europeu com a situação mais delicada, atrás de Espanha e França. Ainda assim, no indicador mais grave, o das mortes, o país segue bem abaixo desses vizinhos europeus, com 489 óbitos diretamente relacionados com a covid-19.