Sociedade

Quase 60% dos jovens passam mais de quatro horas por dia na internet, 99% usam redes sociais e 20% jogam online a dinheiro

21 dezembro 2022 12:59

carol yepes

Inquérito a cerca de 70 mil jovens de 18 anos revela que um terço assumem sofrer de mal-estar emocional e outros problemas que atribuem ao tempo que passam online

21 dezembro 2022 12:59

Seis em cada dez jovens de 18 anos passam mais de quatro horas por dia online, segundo um inquérito realizado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), que revela que a utilização intensiva da internet aumentou oito pontos percentuais desde 2019.

De acordo com o estudo, publicado esta quarta-feira, as raparigas e os estudantes do ensino
superior são os que têm maior prevalência desta utilização.

As redes sociais, usadas por 99% dos jovens, são o que consome mais tempo. Cerca de 30% passam seis ou mais horas por dia nestas plataformas e um quarto (24%) quatro a cinco horas diárias.

Aplicado pelo SICAD a mais de 70 mil jovens de 18 anos que participaram no ano passado no Dia da Defesa Nacional, o inquérito revela ainda que 60% jogam online e 20% fazem-no a dinheiro, jogando em apostas online.

Em comparação com as redes sociais, o jogo consome menos tempo. Entre os jogadores, 42% passam, em média, menos de 2 horas por dia a jogar e só 15% assumem passar seis horas ou mais.

No que diz respeito às apostas, 63% jogam, em média, menos de 2 horas por dia, sendo a utilização intensiva (6 horas ou mais) mencionada por 9% dos inquiridos.

Independentemente do número de horas, são sobretudo os rapazes que mais jogam online, em particular os jovens com menor escolaridade e os que já deixaram de estudar e estão desempregados.

A prevalência do jogo online tem vindo sempre a aumentar desde 2015, primeiro ano em que se realizou este inquérito, tendo subido seis pontos percentuais desde então.

Segundo o inquérito, um terço dos jovens que atingiram a maioridade assume que o tempo que passa online tem causado problemas, sobretudo a nível de mal-estar emocional, diminuição do rendimento escolar e mau comportamento em casa.

“Em quatro edições do inquérito, é o primeiro ano em que as situações de mal-estar emocional associadas à utilização da internet se encontram no topo dos principais problemas apontados, lugar anteriormente ocupado pelos problemas de rendimento na escola/trabalho”, salienta o relatório do SICAD.

Os jovens inquiritos pertencem à geração Z, de nativos digitais. A maioria teve o primeiro contacto com a internet entre os 10 e os 14 anos, mas 34% começaram a usá-la antes dos 10.