Sociedade

Medicamento experimental contra Alzheimer atrasa declínio cognitivo mas tem efeitos secundários graves

30 novembro 2022 16:31

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Edemas e hemorragias cerebrais foram registados em alguns dos participantes do ensaio clínico e podem estar associados à toma do medicamento

30 novembro 2022 16:31

O Lecanemab, medicamento experimental para o tratamento de Alzheimer, desenvolvido pelas farmacêuticas Eisai e Biogen, conseguiu atrasar o declínio cognitivo dos doentes em que foi testado, mas também foram registados efeitos secundários graves em alguns pacientes. Os resultados do ensaio clínico de fase 3, realizado durante 18 meses em pessoas entre 50 e 90 anos, foram publicados esta terça-feira na revista científica “New England Journal of Medicine”.

Entre os 1795 participantes do ensaio clínico – 898 receberam Lecanemab e 897 receberam placebo –, a toma do medicamento foi associada à ocorrência de edemas cerebrais em 13% dos doentes.

Também hemorragias cerebrais foram verificadas em 17% dos participantes. No total, 7% das pessoas que participaram no estudo tiveram de abandonar os testes devido aos efeitos colaterais.

“Ensaios mais longos são necessários para determinar a eficácia e segurança do Lecanemab”, pode ler-se no artigo publicado no “New England Journal of Medicine”.

No final do mês de setembro, a Eisai e a Biogen comunicaram que o medicamento reduziu o declínio cognitivo em 27% dos pacientes nos estágios iniciais da doença de Alzheimer.

O medicamento experimental ataca as placas amiloides no cérebro, que se formam ao redor dos neurónios dos doentes com Alzheimer. O papel preciso dessas placas na doença, se são a causa ou a consequência de outros fenómenos, é cada vez mais objeto de debate na comunidade científica.

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado em setembro de 2021, apontava que 55 milhões de pessoas com mais de 65 anos tinham demência (cerca de 35 milhões com Alzheimer), antecipando 139 milhões para 2050.

Em Portugal, o número de pessoas com demência foi superior a 160 mil, dos quais 50 a 70% com Alzheimer.