Sociedade

Reunião no Infarmed: Governo não vai adotar mais medidas de saúde pública de “natureza obrigatória”

11 novembro 2022 9:55

Ministro da Saúde, Manuel Pizarro

rodrigo antunes/lusa

Situação epidemiológica está controlada, mas a circulação de vários vírus respiratórios no inverno obriga a uma monitorização da situação. Reunião no Infarmed entre Governo e peritos terminou, com apelos à vigilância e à vacinação, mas sem necessidade de medidas adicionais

11 novembro 2022 9:55

A epidemia de covid-19 está controlada em Portugal e, pelo menos nesta fase, “não está prevista a necessidade de mais medidas de saúde pública de natureza obrigatória”, anunciou o ministro da Saúde, esta sexta-feira, depois de ouvir os peritos em mais uma reunião no Infarmed.

“Vigilância, tranquilidade e apelo à vacinação” foi a mensagem transmitida por Manuel Pizarro, lembrando que após dois anos de pandemia muito se aprendeu em termos de literacia de saúde e dos comportamentos que devem ser tomados para prevenir contágios e a propagação dos vírus, seja o SARS-CoV-2, sejam todas as outras infeções respiratórias. Por isso, reforçou, “seguramente que não irão ser tomadas medidas obrigatórias nesta fase”.

Ficar em casa em caso de doença, usar máscara tendo sintomas, lavar as mãos frequentemente, proteger os mais vulneráveis e continuar a vacinação nos grupos recomendados são as medidas tidas como mais eficazes e suficientes nesta fase. “Virar a página não significa que a pandemia acabou”, lembrou o responsável.

Quanto às vacinas, o ministro da Saúde reforçou a ideia transmitida pelos peritos de que são “absolutamente seguras e eficazes”. Na propagação da doença, mas sobretudo da prevenção da doença e mortalidade.

Outra boa notícia é a de que as “novas variantes não estão a acarretar maior risco para saúde” e que as vacinas continuam a ter efeito protetor.

É preciso, no entanto, continuar a “avaliar com rigor a situação” e é esse o trabalho que vai prosseguir, garantiu o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, na intervenção inicial que marcou o regresso das reuniões entre especialistas, autoridades de saúde e membros do Governo no Infarmed.

Manuel Pizarro começou por recordar a decisão de acabar com o estado de alerta, a 1 de outubro, reforçando a ideia de que a situação epidemiológica não justicava a manutenção dessa medida excecional.

Ainda assim, sublinhou, é fundamental manter as “adequadas medidas de vigilância, perante uma situação que não é conhecida em todos os seus contextos”. Ainda mais sabendo que o inverno é a época em que se acumula uma “panóplia de infeções virais”. “A gripe tem estado à cabeça, a covid-19 juntou-se e não nos torna a vida mais fácil”, reconheceu.

Infeção tornou-se mais benigna

Tem um diagnóstico favorável o estado atual da pandemia em Portugal. A infeção perdeu malignidade e são menos os portugueses gravemente doentes e com necessidade de internamento em cuidados intensivos.

Os dados apresentados por Pedro Pinto Leite, da Direção-Geral da Saúde (DGS), mostram “uma estabilização da infeção e impacto nos serviços e mortalidade reduzido”. Em termos numéricos, registam-se 34 doentes em camas críticas, menos do que os 62 em igual período do ano passado. A tendência verifica-se em todos os grupos etários.

Ao invés, Pedro Pinto Leite deu conta de um aumento nas hospitalizações em enfermaria entre quem tem mais de 60 anos. A perspetiva é de crescimento, no entanto, ainda abaixo da última onda pandémica. Assim sendo, é também inferior a mortalidade por covid-19. Está abaixo de todos os anteriores momentos com maior letalidade, como junho e fevereiro deste ano, ambos já por si muito distantes do pico de mortalidade em janeiro de 2021.

O perito da DGS explicou que agora o maior perigo é esperado com a gripe ou com o vírus sincicial respiratório, neste momento, o responsável pelo pico de afluência à Urgência e de internamentos entre os mais pequenos.

E a população está a procurar ajuda: “Há um aumento do número de consultas por gripe e outras infeções respiratórias, com um padrão semelhante ao período pré-pandémico.” Ainda assim, por agora, as infeções respiratórias, incluindo a covid-19, não tiveram impacto na mortalidade por todas as causas. Os valores mantêm-se dentro do esperado.