Sociedade

“Atiram-se contra paredes, mutilam-se e ficam em carne viva”: a Madeira tem um problema de droga chamado “bloom”

29 outubro 2022 15:15

Marta Caires

Marta Caires

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Jornalista

O negócio e o consumo fazem-se quase às claras, bem perto do centro do Funchal. Há tiros, detenções, moradores assustados e turistas que se recusam a voltar, internamentos por surtos psíquicos. A PSP diz estar presa pela lei

29 outubro 2022 15:15

Marta Caires

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Jornalista

“Eu já mostro o que tenho ali escondido atrás da porta para o caso de apanhar alguém dentro de casa.” Dúlio Freitas está cansado e vive em sobressalto por causa do negócio de bloom que se faz às claras duas portas acima, no Caminho de São Roque, um lugar pacato e com vista para a baía do Funchal. O bloom trouxe os consumidores que, de noite ou de dia, andam abaixo e acima e deitam mão a tudo o que lhes possa render uns euros para comprar a dose.

E é por isso que Dúlio, antigo marinheiro, tem uma catana escondida atrás da porta. Há uns meses foi assaltado, levaram umas peças de coleção e umas cadeiras que tinha no quintal. “Foi para a droga, as cadeiras foram parar ao quintal do vizinho.” O mesmo vizinho a quem a polícia apreendeu nove quilos que se supõe ser alfa PHP, uma substância considerada droga desde 2021 e que é conhecida na rua como “bloom”. O produto, apreendido em julho, foi enviado para Lisboa para análise, mas o movimento na rua não se alterou.