Sociedade

Costa promete 30% das áreas marinhas classificadas e quer duplicar startups da economia azul

27 junho 2022 13:43

António Costa e António Guterres na Conferência dos Oceanos da ONU, em Lisboa

tiago petinga/lusa

Após a ambição para “chegar à Lua e a Marte”, é agora tempo de voltar à Terra, declarou o primeiro-ministro na Conferência dos Oceanos. E anunciou uma nova edição do Fórum sobre Economia Azul e Investimento já no próximo ano

27 junho 2022 13:43

António Costa assumiu esta segunda-feira o compromisso de classificar 30% das áreas marinhas nacionais até 2030. Na sua intervenção na Conferência dos Oceanos, em Lisboa, o primeiro-ministro assegurou que já este ano foi dado um passo nesse sentido ao ser aumentada “em 27 vezes o tamanho da Reserva Natural das Ilhas Selvagens”, o que a transformou na “maior área marinha protegida do Atlântico Norte”.

Aproveitando “a centralidade atlântica dos Açores”, o Governo português dará continuidade ao investimento na iniciativa Air Center, “enquanto rede de colaboração científica entre países e institutos de investigação sobre áreas como o espaço, a observação da atmosfera, os oceanos, o clima e a energia”. E até ao final deste ano, prosseguiu, será criado o gabinete da Década das Nações Unidas das Ciências do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável.

Outro dos quatro compromissos assumidos por Costa nesta conferência das Nações Unidas foi o de “assegurar que 100% do espaço marítimo sob soberania ou jurisdição portuguesa seja avaliado em bom estado ambiental”. “Por outro lado, na segurança alimentar, queremos transformar a pesca nacional num dos sectores mais sustentáveis e de baixo impacto a nível mundial, mantendo 100% dos stocks dentro dos limites biológicos sustentáveis”, acrescentou.

E, por fim, o primeiro-ministro assumiu como meta nas energias renováveis oceânicas atingir dez gigawatts de capacidade até 2030 e duplicar o número de startups na economia azul e o número de projetos apoiados por fundos públicos. Em parceria com a Agência Europeia de Segurança Marítima, será ainda criada “uma zona piloto de emissões controladas no mar português”, anunciou. “Queremos promover o empreendedorismo, o emprego e a inovação, em particular na bioeconomia do mar. Com este objetivo, vamos operacionalizar o campus do mar”, comprometeu-se igualmente.

O interesse gerado pelo Fórum sobre Economia Azul e Investimento, que decorre esta terça-feira no Estoril, foi grande, classificou o primeiro-ministro. “A procura de inscrições excedeu de tal forma a capacidade do espaço que já sabemos que o fórum será o maior evento global da economia azul em 2022. E, por isso mesmo, também tenho o prazer de vos anunciar que o Governo português decidiu organizar uma segunda edição do fórum, já no próximo ano, novamente em Portugal”.

A fechar a sua intervenção, Costa declarou que após a ambição de décadas para “chegar à Lua e a Marte”, é agora tempo de voltar à Terra, “o planeta azul, o planeta dos oceanos”.