Sociedade

Monkeypox: Portugal recebe até ao final do mês 2700 vacinas para contactos de infetados

22 junho 2022 19:14

Graça Freitas, Diretora-Geral da Saúde, ne DGS, em Lisboa (foto: TIAGO MIRANDA)

“Temos já uma posição da Comissão Técnica de Vacinação sobre quem são as pessoas candidatas a ser vacinadas”, disse Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, adiantando que estão a ser trabalhadas questões como o consentimento informado

22 junho 2022 19:14

A diretora-geral da Saúde disse hoje, em Alpiarça, que Portugal vai receber até ao final do mês as 2700 vacinas disponibilizadas pela União Europeia para pessoas que tiveram contacto com doentes infetados com o vírus Monkeypox.

Graça Freitas, que apresentou, na Casa-Museu dos Patudos, em Alpiarça, o plano de saúde sazonal “Verão Seguro”, disse que assinou hoje o documento que permite ao mecanismo europeu doar as vacinas a Portugal.

“Vamos receber essas vacinas até ao final do mês. Temos já uma posição da Comissão Técnica de Vacinação sobre quem são as pessoas candidatas a ser vacinadas”, disse, adiantando que estão a ser trabalhadas questões como o consentimento informado.

Segundo Graça Freitas, no final do mês estará pronta uma orientação com indicações para a vacinação de contactos, que está a ser trabalhada com os clínicos, a Comissão Técnica de Vacinação e os parceiros das outras instituições.

“É uma vacinação dirigida apenas a contactos dos doentes”, disse, salientando que a quantidade de vacinas atribuídas a Portugal pela União Europeia “é suficiente” para as necessidades do país, sendo que há ainda outros mecanismos a que Portugal poderá recorrer, “se necessário”.

Portugal registou esta terça-feira mais sete novos casos de infeção humana por vírus Monkeypox, o que faz com o que o número total tenha aumentado para 304 pessoas infetadas, de acordo com dados da Direção-geral da Saúde (DGS).

Até ao mês passado, a Monkeypox só tinha causado surtos consideráveis na África Central e Ocidental, sendo que o continente africano relatou até agora mais de 1.500 casos e 72 mortes suspeitas, numa epidemia separada.

As vacinas nunca foram usadas em África para controlar a varíola dos macacos.

Na semana passada, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, descreveu a disseminação contínua do Monkeypox em países que nunca viram a doença como "incomum e preocupante".

Tedros Adhanom Ghebreyesus convocou uma reunião de especialistas para quinta-feira, para decidir se o surto em expansão deve ser declarado uma emergência global.

De acordo com as autoridades de saúde, a manifestação clínica da Monkeypox é geralmente ligeira, com a maioria das pessoas infetadas a recuperar da doença em poucas semanas.

Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, nódulos linfáticos inchados, calafrios, exaustão, evoluindo para erupção cutânea.

O período de incubação é tipicamente de seis a 16 dias, mas pode chegar aos 21 e, quando a crosta das erupções cutâneas cai, a pessoa infetada deixa de ser infecciosa.