Sociedade

"Interesse nacional" invocado junto dos Registos Centrais para atribuir nacionalidade portuguesa com urgência a Abramovich

13 maio 2022 9:05

paul gilham

Comunidade Israelita do Porto mencionou um grupo de judeus sefarditas portugueses “listados na Forbes” e o nome do anterior ministro da Economia, Pedro Siza Vieira

13 maio 2022 9:05

A Conservatória dos Registos Centrais (CRC) foi pressionada para acelerar o processo de naturalização de Roman Abramovich, tendo sido invocados motivos de “interesse nacional” que “envolvem o próprio Governo”, a B’nai B’rith Internacional (organização judaica mundial) e um grupo de judeus sefarditas portugueses “listados na Forbes”. O jornal “Público” teve acesso a um email enviado a Maria de Lurdes Serrano, diretora da CRC, com uma série de argumentos elencados pela Comunidade Israelita do Porto (CIP).

A CIP usou também o nome do anterior ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, para reforçar o seu pedido. “Em junho de 2021, Sua Excelência o Ministro da Economia será convidado para ser o orador num evento internacional anual da BBI [B’nai B’rith Internacional] que terá como oradores os judeus de origem portuguesa Michael Kadoorie (nascido na China), Roman Abramovich (nascido na Rússia) e Jacob Safra (nascido nos EUA)”. A CIP revelou ainda que tinha acontecido um encontro anterior entre elementos da direção da CIP e Pedro Siza Vieira no Ministério da Economia, a 16 de setembro de 2020, “com vista a eventuais investimentos estratégicos em Portugal por parte de judeus de origem portuguesa”.

Em três meses, Abramovich adquiriu a nacionalidade portuguesa com o aval do Ministério da Justiça (MJ), Polícia Judiciária (PJ), Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e Serviços de Informações de Segurança (SIS) do Estado.

“Dado o aumento brutal do antissemitismo na Europa e a certeza de que a informação seguinte causaria manchetes e clamores contra os judeus, como ensina a história judaica em território europeu, pedimos a V. Exa. que tome todas as providências para que a dita informação não caia jamais em praça pública”, escreveu a direção da CIP no e-mail que enviou a Maria de Lurdes Serrano.