Sociedade

Comunidade Israelita do Porto: há relatos à PJ de pagamentos paralelos, redes de falsificação em Casablanca e um segurança suspeito

14 abril 2022 20:02

Luciana Leiderfarb

Luciana Leiderfarb

texto

Jornalista

Sinagoga Kadoorie, da Comunidade Israelita do Porto

fernando veludo/nfactos

A Sinagoga Kadoorie, que pertence à CIP e é considerada uma das maiores da Europa, costumava ter apenas “duas ou três pessoas” em finais de 2010 nos serviços religiosos. Depois, algo mudou: segundo a mesma fonte, um não-judeu fez o pedido de a frequentar, reunindo-se pela primeira vez com o então presidente da CIP, Ferrão Filipe, e também com o rabino Daniel Litvak. Esse novo elemento chamava-se Francisco de Almeida Garrett

14 abril 2022 20:02

Luciana Leiderfarb

Luciana Leiderfarb

texto

Jornalista

Em dez anos, a Comunidade Israelita do Porto (CIP) passou de 30 para 750 membros, e este crescimento está diretamente ligado à emissão de certificados de ascendência sefardita, e não a um aumento exponencial de judeus a viver na cidade. Durante esta década, os requerentes foram “convidados” a filiar-se, sem pagamento de quota, ainda que jamais tivessem visitado Portugal. “É uma comunidade virtual”, diz ao Expresso uma fonte da CIP que prefere manter-se anónima.

A Sinagoga Kadoorie, que pertence à CIP e é considerada uma das maiores da Europa, costumava ter apenas “duas ou três pessoas” em finais de 2010 nos serviços religiosos. Depois, algo mudou: segundo a mesma fonte, um não-judeu fez o pedido de a frequentar, reunindo-se pela primeira vez com o então presidente da CIP, Ferrão Filipe, e também com o rabino Daniel Litvak. Esse novo elemento chamava-se Francisco de Almeida Garrett, era advogado formado na Universidade Lusíada, sobrinho de Maria de Belém Roseira, e ganharia nos anos seguintes cada vez mais influência, até se tornar vogal da direção da comunidade e ele próprio se converter ao judaísmo. Dez anos depois, Almeida Garrett e Litvak são arguidos numa investigação criminal por tráfico de influência, corrupção ativa, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro, fraude fiscal qualificada e associação criminosa.