Sociedade

“Envergonham a etnia cigana”, disse a juíza em tribunal. Agora, é acusada de discriminação

27 março 2022 14:48

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista

Sara Pina Cabral criticou atos dos arguidos em tribunal. Ao Expresso, diz que se “houver processo”, se defenderá

27 março 2022 14:48

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista

Durante a leitura do acórdão de um caso de agressões graves de que foram vítimas três funcionários de um restaurante em Odivelas, a juíza dirigiu-se aos arguidos que aguardavam de pé a decisão do tribunal e sentenciou: “Estes factos assumem uma gravidade extrema, são inadmissíveis e uma vergonha para a etnia cigana.” Os oito acusados engoliram em seco. Não só por perceberem que seriam condenados a penas de prisão efetiva mas principalmente porque receberam a referência à sua etnia como um insulto — na verdade, um deles é branco e casado com uma mulher cigana. “Estavam familiares dos arguidos na assistência, e aquela referência desnecessária caiu mal a todos”, nota Aníbal Pinto, advogado de quatro dos acusados, que ficou “perplexo” com a declaração da magistrada.

A juíza Sara Pina Cabral continuou: “[Os factos] são aquilo que dá razão a todos quantos dizem, e há bastantes que dizem, coisas de cariz discriminatório. São de facto um belíssimo contributo para essas teses e envergonham os outros que não têm esse comportamento.”