Sociedade

Buscas “não atingem minimamente prestígio das Forças Armadas”, diz Marcelo. “Pelo contrário”

8 novembro 2021 14:48

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

pedro nunes

A Polícia Judiciária está a realizar buscas no Regimento de Comandos e noutras instalações militares em cerca de 100 locais em todo o país. Em causa estão suspeitas de tráfico de diamantes, ouro e droga em missões militares em países como a República Centro-Africana

8 novembro 2021 14:48

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Marcelo Rebelo de Sousa considera que a investigação ao alegado tráfico de diamantes, ouro e droga por militares portugueses em missões externas “não atinge minimamente o prestígio das Forças Armadas”. “Pelo contrário”, sustentou o Presidente da República, em declarações à RTP em Cabo Verde: o facto de as Forças Armadas investigarem “casos isolados que possam ter ocorrido” e de terem tomado “essa iniciativa” “só as prestigia em termos internacionais”.

Desta vez, o comandante supremo das Forças Armadas abriu uma exceção, uma vez que “normalmente, em território estrangeiro”, não faz comentários sobre a situação portuguesa. “Mas aqui é uma situação de projeção internacional, de prestígio das Forças Armadas, nomeadamente numa intervenção neste continente, o continente africano”, justificou.

A Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária (PJ) está a realizar buscas esta segunda-feira no Regimento de Comandos e noutras instalações militares em cerca de 100 locais em todo o país, nomeadamente em Lisboa, Porto, Bragança e Vila Real, por suspeitas de tráfico de diamantes, ouro e droga em missões militares em países como a República Centro-Africana. Trata-se da “Operação Miríade”, a maior operação da PJ deste ano, estando envolvidos 320 inspetores e peritos da PJ, cem mandados de buscas e dez mandados de detenção.

Marcelo lembrou que “logo que houve a denúncia”, no final de 2019, como revelou esta segunda-feira o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) em comunicado, “as Forças Armadas, elas próprias, através do EMGFA, em colaboração com o Estado-Maior do Exército, desencadearam as investigações”. Seguiram-se a Polícia Judiciária Militar e a PJ, que “passou a intervir e a ter um papel fundamental nas investigações ao longo de 2020 e 2021”.

“A ideia é levar as investigações o mais longe possível para apurar o que se passa, confirmar se são casos isolados, como à primeira vista há quem entenda que sejam”, disse ainda. Sendo casos isolados, estes “não afetam em termos de generalização e de prestígio das nossas Forças Armadas, que está incólume”. Um prestígio que o Presidente disse ser “exatamente o mesmo” que testemunhou em março de 2018, quando esteve na República Centro-Africana. Contudo, a denúncia é posterior à sua deslocação ao país, datando de dezembro de 2019.

Na avaliação de Marcelo, “as Forças Armadas fizeram o que deviam ter feito” e “as instituições de investigação policial estão a fazer o que deve ser feito”. Isso mesmo, assegurou, pôde verificar em contacto com os ministros da Defesa Nacional e dos Negócios Estrangeiros e com o EMGFA, que emitiu o comunicado. Questionado sobre se foi informado das investigações em curso, o Presidente atalhou, escusando-se a esclarecer: “Mesmo o comandante supremo das Forças Armadas não pode intervir naquilo que é uma investigação judicial.”