Sociedade

Saúde mental na pandemia: “Há desgaste e ninguém tem resiliência infinita”, a entrevista a Osvaldo Santos

17 janeiro 2021 17:31

Helena Bento

Helena Bento

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Jornalista

Pedro Nunes

Pedro Nunes

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Fotojornalista

Osvaldo Santos é professor na Universidade de Lisboa

A crise não afeta a todos de forma igual, e isso serve para as questões financeiras mas também para as questões de saúde mental. Há grupos a que prestar especial atenção, como as pessoas com doença crónica, seja física, seja psicológica ou psiquiátrica, ou em situação de desemprego ou com menos rendimentos. Serão, de novo, as mais afetadas pelo novo confinamento. Há estratégias, contudo, que podem ser adotadas, tanto por essas pessoas, como por todas as outras. Entrevista com Osvaldo Santos, psicólogo e um dos coordenadores do recém-divulgado estudo “Saúde Mental em Tempos de Pandemia”, realizado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge em parceria com outras entidades

17 janeiro 2021 17:31

Helena Bento

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Pedro Nunes

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Pessoas com doença crónica, seja física, seja psicológica ou psiquiátrica, ou em situação de desemprego ou com menos rendimentos serão de novo as mais afetadas pelo novo confinamento, mas toda a população o será de uma forma ou de outra. Osvaldo Santos, psicólogo e um dos coordenadores do recém-divulgado estudo “Saúde Mental em Tempos de Pandemia”, realizado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge em parceria com outras entidades, antecipa um aumento do número de portugueses com sintomas psicológicos. “A crise vai-se prolongando, a adversidade também, e os recursos vão-se exaurindo.” Há, contudo, estratégias que podem ajudar a diminuir o “sofrimento psicológico”.

Estamos preparados psicologicamente para um novo confinamento?
Tendencialmente, os problemas de saúde mental vão-se agravando com o tempo, sobretudo se os apoios não forem suficientes. Nessas situa­ções, os sintomas de sofrimento psicológico, como a tristeza, a ansiedade e até a depressão, se não forem acautelados, vão agravar-se. Se as pessoas que estavam em sofrimento psicológico na fase final do confinamento decretado no ano passado, segundo o estudo que realizámos, não tiverem sido acompanhadas, a sua situação pode ter-se agravado. A presença de sintomas psicológicos face a uma situação de crise, como a que vivemos, não é, em si, uma coisa má, trata-se de um processo adaptativo, e há mecanismos que são acionados para se sobreviver. Pessoas com mais resiliência serão mais capazes de lidar com a situa­ção, mas também é verdade que com o tempo há desgaste, e ninguém tem resiliência infinita. Um segundo confinamento poderá, de facto, acen­tuar o sofrimento psicológico, sobretudo nos grupos mais vulneráveis.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.