Sociedade

PCP sobre ameaças dos EUA a Portugal por causa da China: "Ambição imperial é óbvia, mas inaceitável"

26 setembro 2020 20:12

António Filipe, deputado do PCP

foto ana baião

Deputado e membro do comité central do PCP aponta o dedo "à atitude de complacência de outros países da UE e da própria UE relativamente às posições dos EUA". Já o ministro dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva "soube deixar claro que as decisões em Portugal cabem às autoridades portuguesas", diz

26 setembro 2020 20:12

A primeira reação de António Filipe, deputado comunista e membro do Comité Central do PCP ao ler as declarações do embaixador dos EUA em Lisboa ao Expresso sobre a necessidade do país escolher, agora, entre os aliados e os chineses, resume-se a uma palavra: "inaceitável". E é inaceitável, desde logo, porque traduz "ameaças implícitas de um embaixador de um país estrangeiro sobre decisões que o Estado português tem de tomar apenas em nome do interesse nacional, sem pressões de outros estados", explica.

Agora, "tem de ficar bem claro que um embaixador não permite a um embaixador fazer declarações deste tipo", acrescenta António Filipe, reconhecendo que a primeira reação do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, passou já essa mensagem de que as decisões em Portugal cabem às autoridades portuguesas. E "ainda bem que assim o fez", acrescenta.

Sem duvidar de que na posição do embaixador "há sinais de que os EUA parecem pensar que podem tratar Portugal como uma colónia sua", o dirigente comunista exige "uma resposta dura do Estado a por os pontos nos is".

"Os EUA têm uma ambição imperial óbvia mas inaceitável que se tem vindo a acentuar. E compete a cada Estado reagir em cada momento", diz António Filipe, apesar de admitir que tudo o que o embaixador Georg Glass afirma na entrevista à edição do Expresso deste sábado "não é exatamente surpreendente para quem acompanha a sua política externa".

Do lado da União Europeia e dos países comunitários, o PCP aponta uma "política de complacência" e "até de cumplicidade, algumas vezes", relativamente às posições dos Estados Unidos, quando "não pode nem deve haver hesitações na resposta imediata a dar a estas ameaças e tentativas de ingerência", conclui.