Sociedade

Covid-19. DGS dá ordem para deixar de testar os contactos de alto risco

31 julho 2020 23:00

Vera Lúcia Arreigoso

Vera Lúcia Arreigoso

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Jornalista

Sofia Miguel Rosa

Sofia Miguel Rosa

infografia

Jornalista infográfica

farooq khan/epa

Nova norma da Direção-Geral da Saúde limita as análises a casos secundários a situações de surto, aglomerados ou coabitantes. Medida vai fazer reduzir número de novas infeções, dando uma imagem “menos catastrofista” do país, e poupar testes para o inverno. Ordem dos Médicos afirma que a alteração viola a principal recomendação da Organização Mundial da Saúde. Peritos consultores da DGS ameaçam cessar funções caso a regra se mantenha

31 julho 2020 23:00

Vera Lúcia Arreigoso

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Jornalista

Sofia Miguel Rosa

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Quem teve contacto de alto risco, muito próximo e por mais de 15 minutos com alguém infetado com o novo coronavírus vai deixar de ser necessariamente submetido à análise para determinar se foi contagiado. A indicação para não testar a generalidade das pessoas mais próximas de um caso positivo consta de uma norma da Direção-Geral da Saúde (DGS) publicada na semana passada e está a provocar críticas severas na comunidade médica. O Governo é acusado de sacrificar a contenção do vírus para reduzir o número de infetados, melhorando a imagem do país.

No centro da discórdia está o ponto 19 da norma sobre o “rastreio de contactos”. Diz o articulado que fazer o teste de diagnóstico aos contactos de alto risco fica ao critério das autoridades de Saúde e é especialmente reservado para infeções em surtos, aglomerados ou coabitantes. À cautela, e apesar de não existir um resultado, terá de ser cumprido isolamento profilático de 14 dias. O problema está no facto de não serem identificadas as pessoas que privaram com o contacto de alto risco e que podem também estar infetadas. À partida, só serão sujeitas a teste se vierem a ter sintomas, mas, entretanto, perdeu-se a identificação precoce de novas infeções.