Sociedade

Aeroporto do Montijo é alvo de esclarecimento público 

2 setembro 2019 13:55

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

d.r.

Sessões de esclarecimento sobre o Estudo de Impacte Ambiental do projeto vão ter lugar a 5 de setembro em Alcochete e a 9 de setembro no Montijo. ZERO apela à participação pública

2 setembro 2019 13:55

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Com o processo de consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental do novo Aeroporto do Montijo a decorrer até 19 de setembro, a Agência Portuguesa do Ambiente vai organizar duas sessões de esclarecimento abertas à população residente na área afetada pelo projeto, assim como a todos os interessados. A primeira tem lugar já na próxima quinta-feira, 5 de setembro, no auditório do Fórum Cultural de Alcochete, às 17h30; e a segunda vai decorrer à mesma hora, a 9 de Setembro no Cinema Teatro Joaquim d’Almeida, no Montijo.

A informação pode ser encontrada no portal “Participa” e é esta segunda-feira relembrada pela associação ambientalista Zero, que apela “a uma enorme participação Pública”, que não se restrinja aos habitantes dos dois concelhos. Em comunicado, a Zero lembra que “infelizmente, são raros os processos de avaliação de impacte ambiental em que este tipo de sessões têm lugar e devem assim ser uma oportunidade para a população melhor perceber as implicações dramáticas da expansão aeroportuária na região de Lisboa”.

Projetado como complementar ao de Lisboa, se vier a ser aprovado, o aeroporto do Montijo irá funcionar por 40 anos, entre 2022 e 2062, prevendo-se que “atinja a sua plena capacidade operacional em 2054 e tenha então “24 movimentos por hora”. Segundo o resumo não técnico do projeto, por este aeroporto passarão 7,8 milhões de passageiros já em 2022, 10 milhões em 2032, e 17,4 milhões de passageiros em 2054.

Entre os principais impactes expectáveis contam-se a afetação de milhares de aves que encontram refúgio no Estuário do Tejo; o risco de colisão entre aves e aviões; ou a "significativa" perturbação dos habitantes de algumas freguesias da Moita e do Barreiro, devido ao ruído.

A Zero volta a alertar para “a necessidade de um procedimento de Avaliação Ambiental Estratégica que a ANA e a Agência Portuguesa do Ambiente decidiram não efetuar”, mas que os ambientalistas dizem ser “essencial por questões estratégicas e de planeamento de longo prazo, naquela que será uma decisão com um enorme impacte no país, em termos económicos, sociais, ambientais e de ordenamento do território”. Os ambientalistas lembram também que o acordo entre o Governo e a ANA – Aeroportos de Portugal inclui “o aumento de capacidade aeroportuária do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa”, que também tem impactes ambientais em Lisboa, ao nível da poluição do ar e do ruído.