Sociedade

Refugiados: O lado lunar da integração

Quase totalmente desiludido com Portugal, Abdella Mohammed já não quer pensar no que lhe faz falta, porque, diz, falta-lhe tudo. Tem apenas uma esperança, pequena: ter o irmão ao pé de si

joão girão

No país dos braços abertos, os refugiados encontram-se muitas vezes abandonados. Não é fácil descobrir quem lhes ensine Português, o que dificulta a empregabilidade ou a comunicação em muitos serviços não preparados para os receber. Esse abandono é particularmente doloroso quando lhes prolonga a solidão e a separação dos membros da família, por vezes durante anos, e os empurra para um labirinto burocrático que os deixa à beira do desespero

14 julho 2019 18:55

Catarina Fernandes Martins e Tiago Carrasco

Um mês depois de Tamam Alnajjar chegar a Portugal, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi a Évora dar as boas-vindas a um grupo de refugiados acolhidos na cidade alentejana. Nesse almoço em abril de 2016, Marcelo mostrou-se preocupado com a burocracia europeia que estava a atrasar a chegada de requerentes de asilo a Portugal ao abrigo do programa de recolocação. Ao contrário de muitos países europeus, Portugal disponibilizou-se para receber milhares, mas meses depois da entrada em vigor desse programa, recebera apenas umas dezenas. Durante meses houve instituições de solidariedade com apartamentos mobilados e pintados de fresco, mas vazios. O país tinha estendido os braços, desejoso de ajudar e sentindo-se capaz de o fazer, mas os atrasos deixavam Portugal sem refugiados para receberem ajuda.

Tamam desconhecia quantos tinham chegado ou estavam para chegar, mas estava convencido de que a sua mulher e os quatro filhos iriam juntar-se ao grupo acolhido em Portugal, assim que conseguisse a autorização para o reagrupamento familiar. Foi isso que disse ao Presidente da República naquele dia em Évora. E Marcelo, jura Tamam, mostrando as selfies que tiraram juntos, prometeu-lhe que a família estaria consigo em breve.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. Pode usar a app do Expresso - iOS e Android - para descarregar as edições para leitura offline)