Sociedade

Taxa de 97%. Portugal com cobertura de vacinação mais alta de sempre

3 maio 2019 20:52

Cristina Bernardo Silva

Graça Freitas, diretora-geral da DGS, teve no painel principal a companhia de Artur Mimoso (SPMS), Pedro Pita Barros (Nova) e Fernando Branco (Católica)

josé fernandes

O anúncio foi feito por Graça Freitas, diretora-geral da Saúde na Conferência organizada pelo Expresso e pela Sanofi, que decorreu esta sexta-feira e teve como tema os desafios da vacinação. “Provavelmente um dos melhores valores do mundo”

3 maio 2019 20:52

Cristina Bernardo Silva

Em todas as vacinas, em todas as idades e para a totalidade do país, “com todas as regiões mais ou menos neste nível, temos taxas de vacinação da ordem dos 97%”, anunciou hoje a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, durante a conferência “Vacinas: Inovar, Financiar e Prevenir", que decorreu esta sexta-feira no edifício Impresa e foi organizada pelo Expresso e pela Sanofi Pasteur Portugal.

Numa referência ao surto de sarampo que levou à morte de uma jovem de 17 anos em 2017, Graça Freitas revelou que “este acontecimento funesto e triste deu origem a uma campanha brutal de repescagem de vacinação”, pelo que, este ano, “atingimos as mais altas taxas de cobertura de sempre”, sendo 97% “provavelmente um dos melhores valores do mundo”.

Na conferência, vários especialistas debateram questões como a complexidade da produção de vacinas, a sustentabilidade dos modelos aquisição e o impacto da prevenção no futuro do Serviço Nacional de Saúde.

Custos elevados e limitações regulamentares foram alguns dos fatores apontados para que as empresas que produzem vacinas sejam cada vez menos. Segundo Phillipe Juvin, vice-presidente e responsável de qualidade da Sanofi Pasteur Global, que falou sobre a complexidade da produção de vacinas, o tempo de desenvolvimento de uma vacina é de seis meses a três anos e 70% do tempo de produção é dedicado ao controlo de qualidade.

O médico pneumologista Filipe Froes falou da importância da vacinação ao longo da vida, lembrando que na Unidade de Cuidados Intensivos que coordena, do Centro Hospitalar Lisboa Norte, vê “pessoas a lutarem pela vida por doenças que podiam ter sido prevenidas” pela vacinação, “algumas das quais jovens”.

Outros convidados apresentaram problemas e soluções relativos ao financiamento de vacinas e aos mecanismos concursais de aquisição. A debater estes temas estiveram, além da própria Graça Freitas, Artur Mimoso, vogal executivo dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), Pedro Pita Barros, investigador e professor da Nova School of Business and Economics - Universidade Nova de Lisboa, e Fernando Branco, investigador e docente da Católica Lisbon School of Business & Economics.

As vacinas têm tido um papel fundamental na luta contra a doença. As campanhas mundiais de vacinação permitiram erradicar a varíola do planeta e a poliomielite foi eliminada em vastas regiões do mundo. Nos últimos 100 anos, a esperança média de vida aumentou “de 15 a 25 anos” graças à vacinação, sublinhou a diretora-geral da Sanofi Pasteur Portugal, Sylvia Lin, alertando para o facto de ter havido uma regressão nos últimos anos “porque nos esquecemos de como o mundo era antes” das vacinas.

Leia mais sobre as conclusões desta conferência na edição de 11 de maio do semanário.