Restaurantes

Frenesi de sabores no Corrupio (uma sala estreita marcada pelo balcão forrado a azulejos e uma carta de sabores lusos)

21 janeiro 2023 18:21

Restaurante Corrupio, em Lisboa

nuno fox

Há boas surpresas portuguesas a surgirem no cosmopolitismo lisboeta. O crítico gastronómico Fortunato da Câmara experimentou os principais pratos da carta e dá aqui o seu veredito

21 janeiro 2023 18:21

Uma centena de cêntimos, de moradas, de origens, de histórias... A Rua da Moeda tem apenas 100 metros, e com uma moeda de 1 euro caminhar-se-á pouco mais além de um café, consumindo num dos vários negócios que enchem esta artéria vizinha do Mercado da Ribeira. Entre bares, restaurantes asiáticos, sul-americanos e do mundo, ou um recém-chegado com patine do passado ao melhor estilo belle époque, há de tudo um pouco numa curta e bem cosmopolita caminhada alfacinha. Entre a agitação da oferta abriu no final do verão o Corrupio. Sala estreita marcada pelo balcão em ferradura forrado a azulejos, e uma carta de sabores lusos apresentados com sofisticação.

O ambiente e a proposta gastronómica parecem aludir ao Frade em Belém, embora numa abordagem de estilo próprio. Apesar de haver uma cozinha de apoio, grande parte dos pratos são finalizados na frente do cliente. Primeiro o “Couvert” (€2,50 / pax) com uma bela manteiga de ovelha, feita a partir de requeijão, e que acompanhava com fatias de pão escuro de miolo húmido e côdea estaladiça. Depois, o “Pastel de massa tenra” (€2,50 / unid.) que chegou quentinho com uns pontinhos de creme de cebola, e um recheio de bacalhau agradável, embora de sabor vago que remetia também para carne, tipo terra-mar indefinido. Muito boa a “Salada de polvo com batata-doce” (€12), rodelas finas de tentáculos grossinhos, sabor a mar, um puré sedoso colocado em pequenas porções, intercalado com chips de batata roxa. Visual e com contraste de texturas. Bem pensada também a “Entremeada de laranja” (€6), com tiras e cubos da carne grelhada, temperados com parcimónia pela personalidade bem insular da açoriana pimenta da terra, picles de cebola roxa, e supremos de laranja (gomos sem película branca). No “Escabeche de codornizes do ‘bigodes’” (€9) a ave chegou muito esfiapada e coberta com uma cebolada de cebola roxa e uns palitinhos de cenoura, mas resultou tudo muito filamentoso, acamado, e pouco agradável de comer. O vinagre de qualidade, já notado no polvo e na entremeada, aqui dominou a codorniz.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.