Televisão

Triunfo da diversidade nos Globos? Jerrod Carmichael não tem dúvidas: "Estou aqui porque sou negro"

11 janeiro 2023 8:00

O fantasma não foi esquecido na gala organizada pela Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood (HFPA) - “Esta cerimónia não foi transmitida no ano passado porque, não vou dizer que a HFPA é racista, mas não tinham um único membro negro até à morte de George Floyd”, disse o apresentador - mas as escolhas da organização mostram vontade de mudar

11 janeiro 2023 8:00

Depois de um hiato provocado por escândalos de ética e diversidade que abalaram a associação organizadora, a cerimónia voltou a ser transmitida ao vivo na NBC, mas o fantasma não foi esquecido na gala organizada pela Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood (HFPA).

A controvérsia foi referida por vários vencedores e pelo apresentador, Jerrod Carmichael, cujo monólogo de abertura endereçou os problemas da associação de forma crua. “Estou aqui porque sou negro”, afirmou o apresentador. “Esta cerimónia não foi transmitida no ano passado porque, não vou dizer que a HFPA é racista, mas não tinham um único membro negro até à morte de George Floyd”.

A situação estará melhor e o filme “Tudo Em Todo o Lado Ao Mesmo Tempo” garantiu a Ke Huy Quan o prémio de Melhor Ator Secundário e a Michelle Yeoh a estatueta de Melhor Atriz Em Filme de Comédia ou Musical. São ambos prova do triunfo da diversidade nos Globos de Ouro, que até há pouco tempo eram acusados de não a promover.

No discurso de vitória, a atriz natural da Malásia, lembrou na última noite, o caminho longo que teve de fazer para chegar a esta distinção, depois de 40 anos na indústria. "Quando vim para Hollywood foi um sonho tornado realidade até chegar aqui", afirmou Michelle Yeoh, lembrando que lhe disseram que ela era "uma minoria" e não iria ter sucesso. "Fiz 60 [anos] no ano passado e penso que todas as mulheres percebem que à medida que os anos aumentam as oportunidades diminuem", continuou, elogiando a coragem dos produtores do filme de "escreverem sobre uma mulher emigrante a envelhecer".

Também Angela Bassett, de 64 anos, saiu vitoriosa como Melhor Atriz Secundária pelo papel em "Black Panther: Wakanda Para Sempre" e falou de "coragem, paciência e um verdadeiro senso próprio" na perseguição dos sonhos. Foi a primeira vez que um filme da Marvel venceu numa categoria de representação nos Globos de Ouro, o que a levou a dizer que "foi feita história" com este galardão.