No dia em que se assinala o centenário do nascimento do único Nobel de Literatura português, o legado e a memória do autor de “Ensaio Sobre a Cegueira” estão mais vivos do que nunca
Quando se lançava na escrita de um romance, José Saramago costumava partir de uma ideia forte, geralmente encapsulada numa pergunta simples. Em “A Intuição da Ilha”, livro de crónicas breves lançado este ano, no qual recorda a vida partilhada com o escritor no lugar a que chamavam ‘A Casa’, na povoação de Tías (Lanzarote), Pilar Del Río recorda-o: “E se a Península Ibérica se desprendesse da Europa e navegasse para Sul? E se Jesus Cristo não fosse Deus nem apoiasse o seu projeto? E se todos ficássemos cegos?” Estas perguntas deram origem, respetivamente, aos romances “A Jangada de Pedra” (1986), “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991) e “O Ensaio Sobre a Cegueira” (1995), a terrível alegoria sobre a natureza humana numa situação de caos social que terá sido decisiva para que a Academia Sueca lhe atribuísse, em 1998, o Prémio Nobel — o primeiro e único da literatura em língua portuguesa.
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