A Revista do Expresso

Salazar e a Coca-Cola: uma história portuguesa da bebida proibida

23 julho 2022 22:25

Filipe Fernandes

Esta é uma história que começa em 1927, com a famosa campanha publicitária de Fernando Pessoa e que só termina 50 anos depois, quando um Governo de Mário Soares pediu 300 milhões de dólares emprestados aos EUA. Salazar tinha pavor da visão do mundo representada pela Coca-Cola

23 julho 2022 22:25

Filipe Fernandes

O refresco americano Coca-Cola. No primeiro dia: estranha-se. No quinto dia: entranha-se”, dizia o anúncio feito por Fernando Pessoa e publicado pelo “Diário de Lisboa” a 16 de julho de 1927. A campanha publicitária iniciara-se dias antes e o vendedor da Coca-Cola era Carlos Moitinho de Almeida, que tinha um escritório comercial de comissões, consignações e conta própria. Importou a Coca-Cola dos Estados Unidos que vinha em garrafões e em garrafas e era depois distribuída pelo mercado de restauração de Lisboa.

A partir de 10 de agosto de 1927 os anúncios deixaram as páginas dos jornais, e a Coca-Cola deixou de ser vendida em Lisboa por ação das autoridades sanitárias, que apreenderam, inutilizaram e selaram os stocks do refrigerante importado. Na base esteve uma lei de 24 de agosto de 1926, feita por pressão das autoridades norte-americanas, que proibia vários estupefacientes, como a cocaína (folhas de coca, cocaína bruta e preparada e seus sais, ecgonina), e que só poderiam ser usados “para usos legítimos, médicos ou científicos” e teriam de ser autorizados pela Direção-Geral da Saúde, na dependência do ministro do Interior.

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