A Revista do Expresso

Póquer. Quem dá cartas em Portugal no jogo que vale milhões

23 abril 2022 8:24

Filipe Garcia

Filipe Garcia

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Editor

oscar sánchez

Nesta mesa está a história de um misterioso jogo francês que os americanos distribuíram pelo mundo. Estão milionários, muitos profissionais e milhões de amadores. Riscos calculados e cálculos arriscados. E ainda uma carrinha nova em Penacova. Vamos ao póquer?

23 abril 2022 8:24

Filipe Garcia

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No Rio All-Suite Hotel, em Las Vegas, Pedro Oliveira passou o dia na cama. Na cabeça, o jogo da véspera. “Estava quase em depressão, a pensar em como podia ter jogado de forma diferente”, assume ao recordar a jogada fatídica. “Foi contra um senhor de mais idade que jogava de forma estranha e mal. Fiz all in com um ás e um 9, quando na mesa estavam um 10, 2, um 9 e um ás, mas três eram espadas e ele tinha dama/7. Joguei mal, devia ter dado só call para ver o river e depois decidir se ‘foldava’.” São assim os jogadores de póquer. Falam em código e os melhores ficam deprimidos até quando ganham 675 mil dólares, cerca de €585 mil, no Campeonato do Mundo de Póquer.

Foi em 2017 o jogo que faria de Pedro, nome de jogo “Skyboy”, uma estrela no póquer nacional. O embate decisivo chegara ao sétimo dia de torneio, depois de mais 70 horas à mesa em competição com cerca de 9 mil jogadores, e ainda hoje guarda na memória todas as jogadas. “Sem cartas” que o ajudassem, o torneio foi feito “a roubar”, em bluffs sucessivos. “É muito mais desgastante. Estás sempre com a adrenalina no extremo e, mesmo que não se note, o coração sempre a 200.” Talvez por isso, hoje olhe para trás e justifique os erros no final com “o desgaste”. A dor da derrota passou, mas os números não: naquele ano, no maior torneio do mundo, a vitória valia 8 milhões de dólares, a partir do 11º um milhão por jogador, “Skyboy” ficou em nono, no que foi o melhor resultado de sempre de um português num torneio daquela dimensão.