A Revista do Expresso

Na rota da coca. Há uma linha que vai de Bissau à Colômbia e que passa pelos grupos de terrorismo do Sahel

9 abril 2022 10:16

Micael Pereira

Micael Pereira

Grande repórter

Uma investigação do Expresso na Guiné-Bissau, no Mali e no México, produzida em parceria com o Pulitzer Center e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian

9 abril 2022 10:16

Micael Pereira

Micael Pereira

Grande repórter

A fazenda fica numa estrada alcatroada nos arredores de Mansoa, uma cidade a duas horas de Bissau, para o interior. É um aglomerado de casas modestas feitas de adobe, onde três homens parecem estar de guarda, sentados em cadeiras de plástico. Não têm armas de fogo com eles. Também não vemos os muros ou o arame farpado que seria razoável encontrar no refúgio de um grande senhor da droga.

Os guardas dizem-nos que o general António Indjai não se encontra. O antigo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas está numa outra fazenda. Há vários dias que o procuramos, para uma entrevista. O homem que liderou o “golpe de Estado da cocaína” em 2012 na Guiné-Bissau prefere circular com frequência entre as suas várias propriedades, evitando sempre que possível a capital do país, apesar de ter lá casa. Talvez essa mudança constante de paradeiro tenha sido a forma que encontrou de se proteger de visitantes inoportunos. A DEA está interessada nele. Apesar de ter passado quase uma década desde a tentativa falhada para capturar Indjai, em 2013, a agência norte-americana de combate ao narcotráfico anunciou no ano passado uma recompensa de cinco milhões de dólares para quem fornecer informações que levem à prisão e condenação do general.