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Centeno: empresas devem limitar margens de lucro para ajudar no controlo da inflação

Centeno: empresas devem limitar margens de lucro para ajudar no controlo da inflação
tiago miranda

Tal como deve haver contenção salarial para evitar o reforço do surto inflacionista, as empresas deverão limitar as suas margens de lucro, disse Mário Centeno ao “Público”, detetando subidas de preços acima do que se poderia esperar dada a escassez de oferta

Tal como o crescimento dos salários deve ser limitado, as empresas deverão limitar as margens de lucro para que a inflação não continue a acelerar, defendeu o governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, em entrevista ao “Público” publicada esta quinta-feira, 3 de novembro.

Para Centeno, as subidas de preços vão “em muitos casos para além daquilo que se poderia esperar face ao que são as pressões inflacionistas vindas da oferta”. “O que isto quer dizer é que, tal como apelamos a uma contenção do nível salarial, eu também gostaria de o fazer ao nível empresarial, para que se reflectisse nos preços um grau de conservadorismo que permitisse de facto a inversão deste ciclo de inflação”, avançou ao jornal.

Sobre a aplicação de medidas de mitigação da perda de poder de compra, o governador disse que “a política orçamental (…) [deve] ser focada naqueles que mais sofrem com a inflação”, em linha com os apelos do Banco Central Europeu (BCE), recusando “medidas transversais que podem elas próprias ser fatores de sustentação dos aumentos dos preços”.

Sobre o ciclo de subidas das taxas de juro, e numa altura em que o primeiro-ministro, António Costa, se uniu ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e a outros chefes de governo europeus contra a contração acelerada da política monetária, Centeno reforça que “o problema não está na política monetária, está na inflação”, apesar desta ser principalmente causada por escassez de oferta.

Com as previsões do BCE a sugerirem um forte abrandamento da atividade económica, Centeno diz que já há “um entendimento de que uma boa parte do esforço de política monetária que estava previsto ser feito já aconteceu. Mas, para que isto se torne previsível e seja materializado nos próximos meses, é mesmo importante que a inflação atinja o seu pico”.

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