Presidenciais 2021

“As escolas potenciam a disseminação social”, diz Marcelo após ter falado com Costa. Decisão “até esta quinta-feira”

tiago miranda

O Presidente/candidato visitou o seu antigo liceu, o Pedro Nunes, no centro de Lisboa, e antes tratou de falar com António Costa para articular e pressionar o anúncio de novas medidas, entre as quais pode estar o fecho das escolas. "Não é possivel dizer ao vírus para parar na parede das escolas", antecipou Marcelo: "é uma questão - explicou - que se vai colocar entre hoje e amanhã"

20 janeiro 2021 15:23

Marcelo Rebelo de Sousa interrompeu esta quarta-feira uma sessão de campanha em Lisboa para atender um "telefonema do estrangeiro". Ausente em Bruxelas, António Costa e o Presidente falaram por breves minutos. Em causa o eventual anúncio de novas medidas, entre elas o fecho das escolas.

Antes de falar no Liceu Pedro Nunes - onde chegou com três testes feitos: um PCR anteontem que deu negativo, um antigénio esta manhã que deu negativo e um PCR feito ontem que ainda não tem resultado - Marcelo quis articular com António Costa o timing do que entende que tem que acontecer rapidamente nas escolas. Mas, estando o primeiro-ministro fora, o contacto telefónico tardou e aconteceu já em plena ação de campanha.

À saida o Presidente disse que tinha estado a falar com um Chefe de Estado estrangeiro, mas o Expresso sabe que também falou com António Costa. O próprio primeiro-ministro o confirmou, a partir de Bruxelas: "Tive a oportunidade de falar ainda há pouco com o PR e quanto chegar logo à noite a Lisboa irei reunir com a ministra da Saúde e com a ministra da Presidência".

Sem querer dizer preto no branco que defende o fecho das escolas, Marcelo Rebelo de Sousa deixou perceber a sua posição, ao afirmar que "As escolas potenciam a disseminação social". E ao chamar a atenção para um facto novo que passa pela disseminação crescente em Portugal da "nova variante" do vírus Covid que "está a crescer a um ritmo acelerado", o que, na sua opinião, impõe que se reavalie a situação.

"Não devo dizer, eu fazia isto, porque acho que é falta de sentido de Estado", afirmou. Mas cinfirmou que, chegando o primeiro-ministro esta noite e havendo conselho de ministros na sexta-feira, "esta é uma questão que se vai colocar entre hoje e amanhã ". Ou seja, o Presidente espera que a decisão seja rápida.

O PR/recandidato reconheceu que a "decisão de fechar as escolas é complicada": " Eu fui professor, sou o primeiro a achar que a coisa mais complicada é perder o ano escolar". Mas assumiu que está "a pensar nisso permanentemente", que o tema "está em debate" e acabou por deixar a sua posição clara: "Não é possivel dizer ao vírus para parar na parede das escolas".

Marcelo Rebelo de Sousa no Liceu Pedro Nunes, onde estudou e saiu com 19 valores

Marcelo Rebelo de Sousa no Liceu Pedro Nunes, onde estudou e saiu com 19 valores

tiago miranda

"Esperem um minuto que tenho alguém ao telefone, que está no estrangeiro e que quer falar comigo", afirmou o candidato a dada altura. E ausentou-se por oito minutos. "Vida de Presidente da República é assim", afirmou no regresso à sala do Liceu Pedro Nunes, onde durante quase três horas decorreu a ação de campanha, com alunos e os diretores do liceu.

Aviso aos jovens: "Isto é um problema de todos"

O Presidente aproveitou para fazer pedagogia junto dos jovens no que toca à pandemia, avisando que "isto é um problema de todos", jovens incluidos, e alertando-os para o facto de "nenhuma estrutura de Saude em nenhum país do mundo ter capacidade ilimitada", o que significa que se um de nós tem que ir para o hospital a situação é complicada.

O candidato também respondeu a várias perguntas dos alunos que aguentaram, seguramente, a uma das aulas mais longas da sua vida, quase três horas. E deixou-lhes alguns conselhos: que percebam que estão a viver uma experiência "única" e que prova como "há na vida um grau de imprevisibilidade impressionante"

Marcelo estudou no Pedro Nunes, falou dos seus tempos de liceu, onde terminou com 19 valores. "Um tempo excecional", recordou, com um conselho: "Não se acomodem nunca".

Sobre as escolas, explicou-lhes que há dois dados novos que obrigam a reavaliar a situação: por um lado, "o peso maior que a variante britânica ganhou em Portugal"; por outro, "o efeito de disseminação social que está a chegar às escolas".

Marcelo Rebelo de Sousa já tinha dito esta terça-feira que "é preciso atuar depressa" quanto às escolas, e António Costa deixou a porta entreaberta esta terça-feira em debate no Parlamento: "Estamos a bater-nos para manter as escolas abertas", disse aos deputados, mas admitiu recuar se as circunstâncias o obrigassem: "Se para a semana soubermos, se amanhã soubermos, se depois de amanhã soubermos, se daqui a 15 dias soubermos, por exemplo, que a estirpe inglesa se tornou dominante no nosso país, ah, muito provavelmente vamos ter mesmo de fechar as escolas e aí farei o que tenho de fazer, que é fechar as escolas”, assumiu.

Se as declarações do primeiro-ministro foram no pior dia desde que começou a pandemia, esta quarta-feira o panorama é ainda mais negativo: os hospitais estão para lá dos limites, os relatos dos médicos são dramáticos, há ainda mais mortos (219), mais de 14 mil casos e contam-se 681 internados nos cuidados intensivos.