Política

IL pede que Santos Silva “se retrate”, após acusar partido de “falta de maturidade política”

Rui Rocha, presidente do Iniciativa Liberal
Rui Rocha, presidente do Iniciativa Liberal
PAULO NOVAIS/LUSA

Em causa estão declarações da segunda figura do Estado feitas em privado, numa sala da AR, junto de Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa sobre a sessão de boas-vindas ao Presidente brasileiro. Santos Silva justificou “fúria” com protesto do Chega, mas atacou também os liberais

O líder dos liberais, Rui Rocha, considera que o presidente da Assembleia da República (PAR) teve um “comportamento inqualificável” após ter apontado “falta de integridade política” ao partido que só se fez representar pelo seu líder parlamentar na sessão de boas-vindas a Lula da Silva. E espera que Santos Silva se “retrate” das suas declarações. O gabinete do presidente do Parlamento já emitiu uma nota a esclarecer que não disse “integridade”, mas “maturidade política” e a condenar a divulgação de uma conversa cuja gravação não foi autorizada.

“Face às gravíssimas afirmações que Augusto Santos Silva proferiu, a Iniciativa Liberal aguarda que o Presidente da Assembleia da República se retrate publicamente nas próximas horas do seu inqualificável comportamento”, escreveu Rui Rocha num post no Twitter. Criticando aquilo que afirma ser mais um “lamentável episódio” no Parlamento, “protagonizado” por Santos Silva, “que devia ser o responsável máximo por zelar pelo regular funcionamento da instituição”, o líder da Iniciativa Liberal (IL) anuncia uma conferência de imprensa na quinta-feira pelas 11h30 sobre o sucedido.

Em causa estão declarações da segunda figura do Estado feitas em privado numa sala da AR, junto de Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Adão Silva e Duarte Pacheco, entre outras figuras, sobre a sessão de boas-vindas ao Presidente brasileiro, que foram capturadas pela ARTV e divulgadas esta quarta-feira pelo Observador e a RTP.

Além de o PAR justificar a sua “fúria” pelos protestos do Chega no plenário, criticou também a ausência do grupo parlamentar da IL no hemiciclo, que só esteve representado pelo líder, parlamentar, Rodrigo Saraiva, em protesto contra a receção do chefe de Estado brasileiro a 25 de Abril. “Há sempre quem faça pior”, atirou, referindo-se ao Chega, mas acusando em seguida os deputados liberais de “falta de integridade política”.

Aí já não é falta de educação, é falta de maturidade política”, atirou. Em nota entretanto divulgada, Santos Silva já condenou a divulgação da conversa, que aliás tem fraca qualidade sonora. Numa primeira versão, o Observador legendava esta parte como “falta de integridade política”, mas na sua nota o presidente do Parlamento diz que usou a expressão “falta de maturidade” e o jornal já corrigiu.

“Aliás, hoje fizeram [IL] uma belíssima campanha eleitoral para um futuro cargo de vice-presidente”, ironizou ainda Silva, não sendo claro se se estava a referir ao Chega ou à IL.

Recorde-se que o nome de Cotrim de Figueiredo foi chumbado para a vice-presidência da AR, a 31 de março de 2022, causando a indignação dos liberais. A partir daí, o partido recusou sempre apresentar outro nome para o cargo, ao contrário do Chega, apesar de Santos Silva e a bancada do PS terem desafiado por mais do que uma vez a IL a avançar com outro candidato.

Numa nota, o gabinete de Santos Silva, lamenta ainda que uma “conversa informal e privada (cuja gravação sonora não foi autorizada) tenha sido tornada pública nestas condições”, causando uma "polémica totalmente injustificada”.

Esta é, pelo menos a segunda vez, que Santos Silva é envolvido numa polémica à volta de uma situação em que não sabia que estava a ser gravado. Em dezembro de 2016, num jantar de Natal do grupo parlamentar do PS, o então ministro dos Negócios Estrangeiros saudou o seu então colega de Governo, José Vieira da Silva, por ter alcançado um acordo na concertação social: “Oh Zé António, és o maior! Grande negociante …. era como uma feira de gado”

As imagens e o som foram captados pela TVI que as usou num rubrica de “indiscretos”. Santos Silva, na altura, pediu desculpa, reconhecendo que tinha usado “palavras excessivas” e alegando que só queria salientar a “dureza” das negociações.

Notícia alterada às 7h55 com referência à nota do gabinete de Augusto Santos Silva e alteração do título.

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