Política

António Costa envolve-se nas negociações com os professores: Governo não cede no tempo de serviço

19 janeiro 2023 23:45

Rita Dinis

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Jornalista

Isabel Leiria

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Rui Oliveira

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Presidente do Conselho Nacional de Juventude

Professores manifestaram-se em Aveiro, na terça-feira, o segundo dos 18 dias da greve por distritos convocada por Fenprof e mais sete sindicatos

Ministério apresentou novas medidas, mas sindicatos dizem que é pouco e mantêm protestos. Marcelo vê “méritos” na luta e pressiona

19 janeiro 2023 23:45

Rita Dinis

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Isabel Leiria

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Rui Oliveira

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Presidente do Conselho Nacional de Juventude

O dossiê é “traumático” para o Governo socia­lista e para António Costa em particular. Depois de, em 2019, o primeiro-ministro ter ameaçado demitir-se quando a esquerda (PCP e BE) e a direita (PSD e CDS) se preparavam para aprovar a recuperação integral do tempo de serviço perdido pelos professores durante os anos em que as carreiras estiveram congeladas, as campainhas de alarme soaram imediatamente em São Bento quando os docentes voltaram para a rua, em particular na manifestação do último sábado, que juntou dezenas de milhares de pessoas em Lisboa. A pressão está alta, com greves pelo menos até fevereiro, e com o Presidente da República a mostrar-se compreensivo com as reivindicações dos professores, mas o Governo não está disposto a ceder no ponto-chave: as carreiras foram descongeladas em 2018 e só conta a partir daí.

A sensibilidade do tema e o facto de, como lembra fonte socialista, “os professores pesarem muito no eleitorado do PS”, fez com que Costa se envolvesse particularmente na retaguarda do ministro da Educação, para mostrar que o Governo funciona como “uma equipa”. A mensagem foi passada a papel químico, com o gabinete de comunicação do primeiro-ministro e o Ministério da Educação a trabalharem lado a lado num guião articulado: o Governo está a negociar com os sindicatos desde novembro (antes de haver greves) e está apostado em resolver dois problemas que considera “muito importantes” para acabar com a precariedade e com a ideia dos professores de “casa às costas”. Para isso propõe agilizar a vinculação (mais de 10.500 entram nos quadros já este ano), fixar mais professores, abrindo mais lugares em escolas, e aumentar o número dos quadros de zona para reduzir as deslocações de centenas de quilómetros entre escolas. A atitude é de “boa-fé” e abertura negocial, mas não no tempo de serviço.