Política

Montenegro concorda com Marcelo: “não há nenhuma razão” para que o Governo caia agora

7 janeiro 2023 19:09

manuel de almeida

Líder do PSD cita algumas das razões do Presidente da República, no dia em que o PSD reuniu para acelerar a sua afirmação na liderança da oposição e na construção de uma alternativa de Governo

7 janeiro 2023 19:09

Eleições há menos de um ano, que deram condições “excecionais” ao Governo, com a conquista da maioria absoluta, e a necessidade de não perder tempo em várias frentes, nomeadamente na aplicação dos fundos comunitários. Em linhas gerais, é por isto que Luís Montenegro concorda com Marcelo Rebelo de Sousa: por agora, “não há nenhuma razão” para dissolver o Parlamento, fazer cair o Governo e mandar o país de volta às urnas.

O líder da oposição disse-o esta tarde, em conferência de imprensa, após a reunião à porta fechada do Conselho Estratégico Nacional do PSD, órgão consultivo que tenta agora acelerar a afirmação do partido enquanto alternativa política ao Governo.

O período é instável no Governo, após uma sequência de casos polémicos que acabaram em demissões, e abriu uma brecha para que se falasse em ‘bomba atómica’. Marcelo, porém, insiste em fechar essa brecha. “Não contem com a ideia de dissolver o Parlamento. Contam comigo para ter o mesmo comportamento institucional que tive durante sete anos”, disse o Presidente da República na sexta-feira, reforçando uma posição que tem repetido desde o final do ano passado, à qual junta mais um argumento: “em terceiro lugar”, disse em dezembro, "não é claro que surgisse uma alternativa evidente e forte imediata ao que existe". Leia-se, a oposição não está preparada.

Montenegro não citou esse argumento, mas disse que Marcelo “tem a leitura política correta”. Essa leitura é a de que “não desconhece que houve eleições há menos de um ano, não desconhece que há condições de governação excecionais — o Governo não tem qualquer dificuldade [institucional] em executar o seu programa — e também reconhece que há imperativos de governação imediatos, que não podem perder tempo”.

Para Montenegro, “o país está distraído há várias semanas à conta exclusivamente de casos de grande relevância que ocorrem dentro do Governo” e o que Marcelo tem pedido é que o Governo, efetivamente, governe. Deixando uma bicada a “dois ministros combalidos politicamente”, a da Agricultura, Maria do Céu Antunes, e o das Finanças, Fernando Medina, o líder do PSD concordou também com Marcelo de que, mesmo que ainda restem cacos das demissões no Governo por apanhar, “está ultrapassada a possibilidade de haver uma interrupção da legislatura”, o que ficou “resolvido na quinta-feira com a votação da moção de censura” apresentada pela Iniciativa Liberal, e em que o PSD se absteve.

Enquanto a restante direita pedia a queda do Governo (IL e Chega votaram sozinhos a favor da moção de censura), o PSD pede calma. “A normalidade é termos eleições legislativas em 2026”, insistiu Montenegro. “Tudo aquilo que contrarie essa normalidade não depende de nós, depende antes da incapacidade, da ineficácia, da incompetência e da desintegração do Governo.”