Política

PSD vai abster-se na moção de censura ao Governo. “Não é o momento”, diz Montenegro

3 janeiro 2023 18:56

antónio pedro santos/lusa

Líder sublinha que partido “não está nem do lado da inconsequência, nem do lado da incompetência”. Moção apresentada pela IL é debatida na quinta-feira

3 janeiro 2023 18:56

O PSD irá abster-se na moção de censura ao Governo apresentada pela Iniciativa Liberal e que é debatida na quinta-feira no Parlamento. A informação foi confirmada pelo Expresso durante a reunião da bancada parlamentar desta terça-feira. Já à saída da reunião, o presidente social-democrata, Luís Montenegro assumiu: “Não queremos derrubar o Governo.”

A justificar o sentido de voto, o presidente social-democrata disse, na reunião à porta fechada com os deputados, que o PSD deve aproveitar o debate da moção de censura para assinalar as falhas governativas do PS. Mais: quando quiser tentar derrubar o Governo, o PSD apresentará a sua própria moção de censura, acrescentou Luís Montenegro.

“Este não é o momento”, justificou ainda, lembrando que a abstenção do partido é por respeito à democracia e à atual situação política. Ao que apurou igualmente o Expresso, o líder disse que o PS tem todos os instrumentos necessários para executar o seu programa político. Além disso, recordou, ainda nem um ano passou desde que os eleitores deram uma maioria absoluta aos socialistas.

Montenegro sintetizou as razões por que o PSD irá abster-se. De acordo com fontes presentes na reunião, declarou que “votar a favor é pretender derrubar o Governo, abrir uma crise política e consequentemente pedir eleições”. Por outro lado, “os portugueses votaram há menos de um ano e isso tem de ser respeitado”, estando “hoje preocupados com o aumento do custo de vida, a falta de resposta dos serviços públicos, com o SNS num autêntico caos, com a falta de capacidade reformista do Governo, com os impostos máximos”.

Considerando que “o Governo merece oposição às suas políticas”, o líder social-democrata defendeu que o Executivo “deve governar e não ter um pretexto para fugir às suas responsabilidades”. Por fim, afirmou que “o PSD não é um partido de protesto, é um partido de governo e é a alternativa a esta governação”. E ainda que “o PSD não está nem do lado da inconsequência, nem do lado da incompetência”, numa referência à IL e ao Governo, respetivamente.

Montenegro não acolheu assim a vontade manifestada ao Expresso por deputados que queriam que o PSD votasse a favor, lembrando aqueles, antes da reunião, que o próprio partido tem defendido o que os liberais dizem no texto da moção. Mas, durante a reunião, o tom acabou por ser conciliador. No final, Montenegro garantiu aos jornalistas que “não houve nenhum deputado que tivesse expressado um sentido contrário”. “Todos os que intervieram secundaram a posição do presidente do partido, da Comissão Política Nacional. E os outros, mesmo não intervindo, naturalmente mostraram a sua concordância precisamente pela falta de intervenção em sentido contrário”, acrescentou.

Questionado sobre um eventual desencontro entre a abstenção anunciada e as críticas ao Governo que o próprio tem feito nas últimas horas, Montenegro apelou a que todos sejam “sérios”. “A moção de censura apresenta-se para derrubar o Governo. Nós, no PSD, decidimos não derrubar o Governo. Ao contrário do que defendem os promotores desta iniciativa e de uma similar, que já foi discutida nesta sessão legislativa, nós não defendemos a queda do Governo, e assumimos isso com toda a frontalidade. Achamos que o Governo cessar funções agora acrescentaria ainda mais problemas a Portugal”, referiu. E ainda: “Não sentimos que a população tenha hoje como prioridade mudar o Governo. A prioridade da população é que o Governo governe, é que o Governo cumpra o seu programa. É isso que as pessoas querem.”

A moção de censura da IL contará com os votos favoráveis dos liberais e do Chega, a abstenção do PSD e do Bloco de Esquerda e os votos contra do PS e do PCP. Faltam ainda pronunciar-se os deputados únicos do PAN e do Livre. Uma outra moção de censura, apresentada pelo Chega a 6 de julho do ano passado, foi chumbada com os votos contra de PS, PCP, BE, PAN e Livre, a abstenção de PSD e IL, tendo o partido proponente ficado isolado no voto a favor. Ou seja, o PSD repetirá o sentido de voto de há meio ano.