Política

Nomeação de Galamba é “afronta à justiça, ao Estado de Direito e ao país”, diz Ventura

2 janeiro 2023 20:23

rui minderico/lusa

Líder do Chega lembra que o novo ministro está a ser investigado pelos negócios do lítio e do hidrogénio. “Não sabemos em que fase estão estes processos”, sublinha, acrescentando que Galamba “avisou Sócrates da Operação Marquês”

2 janeiro 2023 20:23

O presidente do Chega descreveu a nomeação de João Galamba como ministro das Infraestruturas como “uma afronta à justiça, ao Estado de Direito e ao país”. André Ventura justificou as suas declarações com o facto de o governante estar a ser “investigado pelos negócios do lítio e do hidrogénio”. “Não sabemos em que fase estão estes processos”, disse, acrescentando que Galamba “avisou José Sócrates da Operação Marquês”, pelo que a sua promoção de secretário de Estado a ministro é “uma afronta aos portugueses de bem” que querem quebrar o “ciclo de favores políticos que se instalou em Portugal”.

As escolhas de Galamba e de Marina Gonçalves mostram a “incapacidade” do Governo de se “rejuvenescer” e de “ir buscar qualidade à sociedade civil”, acusou, acrescentando que António Costa foi buscar os novos ministros ao “aparelho”. Isto porque, afirmou, “ninguém se quer atravessar por António Costa e por este Governo socialista”. “Temos um Governo de aparelho e de ‘boys’”, classificou.

Convicto de que os casos que envolvem Galamba “vão fragilizar a autoridade política do Governo”, Ventura afirmou não compreender como o secretário de Estado passa a ministro quando foi essa autoridade política que levou, segundo o ministro das Finanças, ao afastamento de Alexandra Reis. “O Governo afasta uma secretária de Estado envolvida potencialmente numa irregularidade de atribuição de indemnizações, mas nomeia um ministro envolvido num escândalo ainda maior”, sentenciou.

E se é certo que “nenhum povo deseja estar sempre em eleições”, o líder do Chega referiu haver “momentos na vida e na história” em que a ação deve ser pautada por “aquilo em que acreditamos” e não “pela sondagem da esquina”. “Este Governo já deu o que tinha a dar”, atirou, acusando o primeiro-ministro de, “nos momentos-chave”, optar “sempre por escolhas erradas e por escolhas que minam a autoridade e prestígio do Governo”.

Depois de Luís Montenegro, na sua primeira declaração sobre este caso, ter atirado diretamente ao ministro das Finanças, também Ventura não poupou Medina, que disse não ter “quaisquer condições para se manter” no cargo.