Política

Presidente do PSD sobre diretor-executivo do SNS: é mais uma “operação de cosmética” do Governo

13 setembro 2022 17:02

Presidente do PSD, Luís Montenegro

nuno veiga/lusa

Luís Montenegro lembra que foi o próprio primeiro-ministro a assumir que a política para a saúde “vai ser a mesma”. E “os portugueses querem reformas estruturais”, acrescenta, lamentando que o Governo seja “avesso à reforma”

13 setembro 2022 17:02

A escolha de Fernando Araújo, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de São João, para diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) não merece grandes comentários ao presidente do PSD. “O que está em causa não é propriamente escolha de pessoas, é o modelo e a política de saúde poderem servir o interesse das pessoas e das comunidades”, defendeu Luís Montenegro esta terça-feira, em Tabuaço, parte do seu périplo de uma semana pelo distrito de Viseu.

Para o líder social-democrata, esta é mais uma “operação de cosmética” do Executivo de António Costa, operações que se vão sucedendo “umas atrás das outras”. “Mudou de ministro, mas a política fica na mesma. Cria-se um estatuto do SNS e a política fica na mesma. Agora nomeia-se um CEO do SNS e a política fica na mesma”, elencou. E o que “os portugueses querem não são operações de cosmética”, mas “operações estruturais de fundo, reformas estruturais”, disse ainda, lamentando que o primeiro-ministro e o seu Governo sejam “avessos à reforma”.

Montenegro referiu-se a um “movimento legislativo” que o Executivo iniciou com a criação do estatuto do SNS e prossegue agora com “a criação desta figura do CEO do SNS”. Trata-se do “reflexo de duas coisas”: o “falhanço completo da política de saúde” e “uma procura quase desesperada de tentar fazer algo diferente para ver se produzem resultados diferentes”. E salientou que “a questão essencial é que o primeiro-ministro assume que a política vai ser a mesma”. “Ora, com a mesma política podem contratar os CEOs que forem mais reputados, podem recrutar os ministros mais ou menos politizados e partidarizados… os resultados não vão ser diferentes”, atirou.

“Ao contrário do que era suposto num governo socialista e de esquerda, a política de saúde tem contribuído para uma deslocação dos utentes precisamente do SNS para as ofertas complementares do serviço social e do sector privado”, criticou ainda. E isto acontece, considerou, “à custa das pessoas e não com uma conjugação e com o apoio do Estado, nomeadamente àqueles que não têm recursos para aceder a esses dois sectores”.