Política

Costa "desta vez" aceitou razões de Temido: "É melhor concluirmos trabalho que está em curso e depois seguirmos a nossa vida"

30 agosto 2022 15:30

Eunice Lourenço

Eunice Lourenço

Editora de Política

josé sena goulão/lusa

Primeiro-ministro admite que morte de grávida em Lisboa foi “gota de água” para a ministra e insiste que fique até ser aprovada regulamentação do Estatuto do SNS “para não perder mais tempo”

30 agosto 2022 15:30

Eunice Lourenço

Eunice Lourenço

Editora de Política

O primeiro-ministro diz que ainda não teve tempo para pensar num substituto para Marta Temido e insiste para que seja a ministra ainda a apresentar no Conselho de Ministros de dia 8 ou de dia 15 a regulamentação do Estatuto do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“É melhor concluirmos este trabalho que está em curso e depois seguirmos a nossa vida”, disse o primeiro-ministro em declarações aos jornalistas em São Bento, onde decorrem reuniões de preparação do Conselho de Ministros de segunda-feira, quando o Governo deve aprovar o pacote de medidas para dar resposta à inflação. O primeiro-ministro justifica com esse processo e com a sua visita a Moçambique a sua falta de pressa em apresentar um sucessor para Marta Temido.

“Ainda não tive oportunidade de pensar, não estava a contar com esta mudança”, afirmou Costa que deixou implicito já terem existido outros pedidos de demissão de Marta Temido. “Não me senti em condições de não aceitar o pedido desta vez”, afirmou, admitindo que a morte de uma grávida em Lisboa terá sido a “gota de água” para a saída da ministra.

"Para quem foi ministra da Saúde num período tão duro como os dois anos de pandemia, percebo que estaleca como linha vermelha a existência de falecimentos num processo que decorre em serviços sob a sua tutela", disse António Costa, já depois de dizer: “Respeito a avaliação que faz, a decisão que tomou.” E ainda: “Se não compreendesse não tinha aceitado o pedido.”

O primeiro-ministro começou por “expressar um agradecimento” a Marta Temido pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos. Lembrou que a ministra “teve de enfrentar uma situação única e extraordinária” com a pandemia e disse que “fica em curso um conjunto de reformas importantes para continuar a melhorar os serviços de saúde aos portugueses”.

Quanto à substituição “não será rápido” porque “não tenho condições”, disse Costa, que amanhã parte para Moçambique, onde vai decorrer uma cimeira luso-moçambicana. Mas, para além disse, insiste em que seja Marta Temido é levar a Conselho de Ministros a regulamentação do estatuto do SNS.

“Era muito importante que ainda fosse a atual ministra que apresentá-la de forma a que não tivéssemos mais atrasos. Gostaria de não perder tempo.É melhor conclcuirmos este trabalho que está em curso e depois seguirmos a nossa vida”, insistiu o primeiro-ministro, que garante que a mudança de ministro pode implicar “mudanças de personalidade, de estilo, de energia”, mas não vai implicar uma mudança de política.