Política

Marcelo pressiona Governo: quer saber "lógica global" dos apoios

25 agosto 2022 19:43

Eunice Lourenço

Eunice Lourenço

Editora de Política

O Presidente visitou a Feira do Livro de Lisboa

josé sena goulão

Presidente da República recusa comentar medidas anunciadas pelo ministro do Ambiente e lembra que outros países já apresentaram medidas mais abrangentes

25 agosto 2022 19:43

Eunice Lourenço

Eunice Lourenço

Editora de Política

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não quer comentar ainda as medidas anunciadas esta quinta-feira pelo ministro do Ambiente para compensar os aumentos da energia. "Quero perceber a lógica global de intervenção para perceber qual é o alcance e a profundidade da ação", disse o PR, em declarações aos jornalistas à margem da visita à Feira do Livro de Lisboa.

Marcelo colocava, assim, mais pressão sobre o Governo para que apresente de forma integrada as medidas de apoio para combater os efeitos da inflação que têm sido prometidas, mas remetidas para setembro. O Presidente disse que soube antecipadamente que o ministro ia apresentar medidas esta tarde, mas que ainda não as conhecia. E fez questão de lembrar que "vários países" já apresentaram e têm a funcionar planos abrangentes para o aumento dos custos da energia e para a inflação noutros setores.

O PR deu os exemplos de Itália, França e Espanha. E, questionado sobre se concorda com os planos desses países, respondem que, nesses casos, conhece "as medidas que são muito diferentes, muito globais, muito abrangentes e bastante ambiciosas" e que "não são só na energia, são noutros apoios". Ou seja, o que está em causa não são as medidas em concreto, mas a existência de um plano mais global e abrangente para responder à conjuntura. Ou a falta desse plano, como o Presidente salientou que acontece em Portugal.

"Naturalidade democrática" em Angola

A visita à Feira do Livro de Lisboa foi também aproveitada pelo chefe de Estado para salientar a necessidade de paz e de naturalidade democrática em Angola. "É importante que haja o que é fundamental na vivencia de uma democracia: a naturalidade do processo democrático", disse Marcelo que parte sexta-feira à noite para Luanda, onde vai participar nas cerimónias fúnebres de José Eduardo dos Santos, o ex-Presidente angolano que morreu no dia 8 de julho.

Marcelo não quis comentar o "processo eleitoral em curso" em Angola. "Não comentaria um processo eleiroral em curso em Portugal e tivemos rcenetmente um processo eleitoral em curso que demorou dois meses", lembrou o Presidente

Quanto ao funeral do ex-Presidente angolano e ao facto de ir ter lugar neste processo eleitoral, Marcelo reafirmou que o fundamental é que "tudo isso decorra num clima de paz e de normalidade democrática".