Política

Montenegro quer que secretária de Estado da Proteção Civil peça desculpa aos portugueses

24 agosto 2022 23:33

fernando veludo/lusa

Líder do PSD visitou feira agrícola e aproveitou para deixar críticas a Patrícia Gaspar, mas também à ministra da Agricultura

24 agosto 2022 23:33

O presidente do PSD, Luís Montenegro, exigiu esta quarta-feira que a secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, peça desculpas aos portugueses por ter dito que, face à "severidade meteorológica", a área ardida este ano deveria ser 30% superior.

“Exigimos um pedido de desculpas aos portugueses, às famílias que estão hoje a sofrer este flagelo e também a muitos milhares de pessoas que estão no terreno a combater os incêndios florestais”, afirmou o líder social-democrata, em Penafiel, referindo que as declarações da governante exemplificam “o estado em que está o Governo”.

“O Governo está em roda livre. Os membros do Governo estão a dizer coisas que são absolutamente inauditas e que nós entendemos com grande perplexidade e estupefação”, acrescentou, em declarações aos jornalistas.

Em entrevista à SIC Notícias, na sexta-feira, a secretária de Estado da Proteção Civil afirmou que os "algoritmos e dados dizem que a área ardida" deveria "ser 30% superior", considerando ainda que, "apesar da complexidade, o dispositivo tem estado a responder bem". A governante repetiu a ideia no dia seguinte em declarações à RTP.

“Dizer ao país, numa altura em que tanta gente está a sofrer no terreno, que, afinal de contas, está tudo a correr mais ou menos bem, porque estimava-se que ainda devia ter ardido mais 30 por cento do que já ardeu, porque há um misterioso algoritmo no Ministério da Administração Interna, é de facto de uma perplexidade”, observou o líder social-democrata, rematando: “Há aqui uma grande desorientação no Governo, na esteira do que acontece noutros setores”.

O algoritmo de que Patríca Gaspar falou é publicado nos relatórios quinzenais do Instituto para a Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). No ponto 6 desses relatórios é feita uma ponderação entre a severidade meteorológica e os incêndios ocorridos. "O valor de área ardida real (80 760 ha) corresponde a 63% da "área ardida ponderada", o que significa que a área ardida no ano de 2022 é consideravelmente inferior à área ardida "expectável" tendo em conta a severidade meteorológica verificada", lê-se no últmo relatório publicado já esta esta semana.

Tanto o PSD como a Inicaitiva Liberal já tinham enviado perguntas ao Ministério da Administração Interna sobre as declarações de Patrícia Gaspar. A secretária de Estado já justificou que invocou os dados do algoritmo para salientar como a atividade dos bombeiros tem evitado ainda maiores incêndios.

"Governo em roda livre"

Luís Montenegro visitou a 41.ª edição da Feira Agrícola do Vale do Sousa – Agrival, em Penafiel, no distrito do Porto, que decorre até domingo com cerca de 350 expositores. O líder partidário lamentou, também, as recentes declarações da ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, depois de a Confederação da Agricultura Portuguesa (CAP) ter reclamado mais apoios do Governo para o setor fazer face às dificuldades provocadas pela seca.

Luis Montenegro afirmou: “A ministra da Agricultura, perante uma reclamação legítima do setor e de uma das confederações mais representativas, veio dizer: esses senhores deviam é estar a explicar porque é que, aparentemente na campanha eleitoral, apelaram a que não se votasse no PS”.

Para o presidente do PSD, com este tipo de afirmações, o Governo está “em roda livre, onde cada um diz o que quer e não acontece nada”, enquanto, prosseguiu, “o primeiro-ministro está impávido e sereno a assistir à degradação da credibilidade, da autoridade, do respeito e de algum humanismo a quem exerce funções públicas”.

Sobre as reivindicações da CAP, o líder social-democrata disse que o PSD propõe a adoção de medidas equivalentes àquelas que acontecem em Espanha, “que tornem competitivo o setor agrícola”. Em concreto, Montenegro defendeu “uma ajuda extraordinária para o acesso a fatores de produção, como os combustíveis e a eletricidade e outros, como fertilizantes e vários produtos que são hoje inflacionados, em função daquilo que está a acontecer no mercado de forma generalizada”.