Política

Marcelo responsabiliza Costa por manter Pedro Nuno e duvida que seja a "escolha feliz"

30 junho 2022 21:08

manuel de almeida/ lusa

Explicou ao primeiro-ministro que o despacho da véspera era insustentável e responsabilizou-o publicamente por não demitir o ministro. Marcelo disse de Pedro Nuno Santos o que há cinco anos disse de Constança Urbano de Sousa. Só que, desta vez, falhou o timing. Costa já segurou o ministro. O Presidente coloca condições para o novo aeroporto

30 junho 2022 21:08

O Presidente da República duvida que Pedro Nuno Santos seja a pessoa certa para preencher as condições que colocou para a solução do novo aeroporto - uma decisão rápida, consensual e consistente - e responsabilizou o primeiro-ministro por manter o ministro das Infraestruturas em funções, optando por não o demitir.

A frase de Marcelo Rebelo de Sousa na declaração que fez, na noite desta quinta-feira, ao país sobre a crise no Governo por causa do novo aeroporto de Lisboa, foi similar à que proferiu há cinco anos quando dos fogos no centro do país e que forçou a demissão da então ministra da Administração Interna.

"O primeiro-ministro escolhe os seus colaboradores e é o primeiro-ministro que deve em cada momento, olhando para o passado e para o presente, ver quem são os que estão em melhores condições para ter êxito nos seus objetivos", afirmou o Presidente. Só que, desta vez, e ao contrário do que aconteceu com Constança Urbano de Sousa, Marcelo falou já depois de António Costa ter anunciado que mantém o ministro. O que o limitou a deixar claro que o PM "é responsável pela escolha mais ou menos feliz e pela avaliação que faz". "É o primeiro-ministro o responsável por isso", enfatizou.

"Quem é que está mandatado?", questionou Marcelo, para deixar claro que não está nas suas competências demitir ministros, sinalizando em simultâneo ter dúvidas de que a escolha de Costa seja a certa.

"O Governo está mandatado por voto maioritário para prosseguir os seus objetivos", afirmou. Avisando que, se a escolha não for a certa, "os objetivos não são conseguidos". E a responsabilidade será assacada ao chefe do Governo.

Após destacar que o despacho unilateral do ministro que avançou com uma solução para o novo aeroporto sem cobertura do Governo, da oposição e do próprio Presidente, tinha sido revogado, Marcelo colocou três condições ao Executivo.

Primeira, que haja sobre a matéria em causa "uma solução relativamente rápida". Segunda, que seja uma solução "consensual" como "o primeiro-ministro prometeu". Terceira, que seja uma solução "consistente do ponto de vista político, técnico e legal". Ou seja, uma solução "fazível". E por fim, o mais relevante do ponto de vista político: "para que isto seja possível", afirmou o Presidente, é preciso acertar na "escolha" do ministro.

António Costa será o responsável e deverá ver, por conselho presidencial, qual será "a equipa que tem melhores condições". O Presidente não confia na escolha. Mas após ter forçado o primeiro-ministro, com quem falou na véspera e antes de Costa revogar o despacho da polémica, a perceber que este era insustentável, Marcelo passa a bola ao primeiro-ministro. E espera para ver.