Política

Caso dos ucranianos: António Costa desmente Câmara de Setúbal

29 abril 2022 17:10

Vítor Matos

Vítor Matos

Jornalista

andre kosters/lusa

O gabinete do primeiro-ministro diz que a autarquia não lhe colocou as questões que diz ter feito a propósito de denúncias da embaixadora da Ucrânia sobre a associação do cidadão russo que acolhia os ucranianos em Setúbal.

29 abril 2022 17:10

Vítor Matos

Vítor Matos

Jornalista

O gabinete do primeiro-ministro desmentiu esta sexta-feira à tarde a Câmara de Setúbal, que afirmou ao Expresso ter enviado a São Bento uma carta com uma questão a que diz não ter resposta - sobre uma entrevista da embaixadora da Ucrânia Inna Ohnivets -, que fez acusações a associações financiadas pela autarquia. O gabinete de André Martins, presidente da câmara da CDU, repetiu essa informação num comunicado, esta sexta-feira, a reagir à notícia do Expresso sobre os refugiados ucranianos que são recebidos na câmara por cidadãos russos com ligação a instituições do Kremlin.

O comunicado do gabinete do primeiro-ministro diz que a câmara "questionou formalmente e no próprio dia, por ofício, o senhor primeiro-ministro, pedindo que se pronunciasse sobre a veracidade" das declarações da embaixadora, para esclarecer "com a maior brevidade possível se o Alto Comissariado para as Migrações se mantinha a confiança nesta associação, não tendo obtido resposta até ao momento".

Inna Ohnivets disse que “associações pró-russas" como a EDINTSVO liderada por Igor Khashin, financiada pela câmara de Setúbal, "têm uma ligação muito estreita à embaixada russa, e podem receber informações sobre os dados pessoais dos refugiados e também sobre os familiares que participam no exército ucraniano. E esta informação é interessante para a inteligência russa”, acrescentou, no início de abril numa entrevista à CNN.

O comunicado de António Costa diz que "a carta que o Presidente da Câmara Municipal de Setúbal dirigiu ao primeiro-ministro no passado dia 11/04/22 é um protesto sobre declarações prestadas pela Embaixadora da Ucrânia em Lisboa, à CNN, e foi reencaminhada para os efeitos tidos por convenientes para o MNE". E acrescenta que, "na referida carta não é solicitada qualquer informação sobre a Associação EDINSTVO, nem sobre o cidadão Igor Khashin".

A notícia do Expresso já motivou reações de todos os partidos da oposição. O Governo, por seu lado, pediu esclarecimentos sobre ao Alto Comissariado para as Migrações.