Política

Rui Moreira: “É absolutamente lamentável e é baixar ao mais baixo nível que o problema [no Queimódromo] sirva para chicana política”

19 agosto 2021 21:42

rui duarte silva

A falha no sistema de refrigeração do centro de vacinação no Queimódromo está a aquecer a disputa autárquica no Porto. O candidato socialista disse esta quinta-feira que Rui Moreira “pressionou publicamente as autoridades para a abertura de um centro drive-thru, gerido por uma empresa privada” na cidade. Tiago Barbosa Ribeiro acusa o presidente da Câmara de agora, “como faz sempre que há um problema”, passar “culpas para terceiros” e de manter-se “desaparecido em local incerto”. Horas depois, Moreira respondeu: “Quando é preciso, estou sempre cá. Eu, enquanto presidente da Câmara, não tenho a vantagem de poder andar a fazer campanha eleitoral”

19 agosto 2021 21:42

Durante a tarde desta quinta-feira, através de um comunicado enviado às redações, o candidato do PS à Câmara do Porto, Tiago Barbosa Ribeiro, acusou Rui Moreira de “utilizar propaganda agressiva que mina a opinião pública” e diz que o presidente do município “pressionou publicamente as autoridades para a abertura de um centro de vacinação drive-thru no Porto, gerido por uma empresa privada, quando em todo o país o processo funciona em plena articulação entre o Governo, a task-force, as autoridades de saúde e os municípios”.

O candidato e deputado socialista nota igualmente que “o centro de vacinação foi amplamente divulgado em todos os meios da Câmara Municipal do Porto que, na altura da sua abertura, não se coibiu de atacar o Governo e a task-force pelo que considerou ser um atraso na autorização”. Postura que, defende, foi mantida por Moreira “em vários momentos ao longo dos últimos meses”, quando “atacou publicamente as autoridades em relação ao processo de vacinação e às medidas de contenção da pandemia”.

Tiago Barbosa Ribeiro diz-se “solidário com a decisão de suspender a vacinação no Queimódromo, tomada pela equipa liderada pelo vice-almirante Gouveia e Melo”, e está incomodado com o “silêncio ensurdecedor” do presidente da CMP, comportamento que diz ser habitual. “Agora, como faz sempre que há um problema, Rui Moreira ou passa culpas para terceiros ou mantém-se desaparecido em local incerto”, afirma o candidato socialista, que espera que este acontecimento “sirva de exemplo e que doravante não existam mais pressões da autarquia sobre as autoridades de saúde”.

A reação do presidente da Câmara Municipal do Porto não se fez esperar, convocando uma conferência de imprensa realizada ao final da tarde. Sobre a acusação de estar “desaparecido em local incerto”, Rui Moreira respondeu: “Aquilo que eu sei é que, quando é preciso, estou sempre cá. Eu, enquanto presidente da Câmara, não tenho a vantagem de poder andar a fazer campanha eleitoral”.

O independente afirma que “é absolutamente lamentável e é baixar ao mais baixo nível possível da política, quando aquilo que é um problema — que já surgiu noutros lados — agora sirva para a chicana política”. E deixa o recado: “faz parte de uma luta política na qual eu não alinho”, deixando claro que irá “sempre pressionar o Governo, por muito que isso incomode o deputado Barbosa Ribeiro”.

Durante a conferência de imprensa, Rui Moreira disse que, “há uns meses, o vice-almirante Gouveia e Melo escreveu a todos os presidentes de Câmara, a pedir que os municípios disponibilizassem os recursos logísticos necessários para auxiliar este grande esforço da vacinação, que tem corrido muito bem em Portugal”.

“Aquilo que propusemos, no início do ano, foi um [centro de vacinação] ‘drive-thru’”, sublinhando que a Câmara do Porto “não inventou nada”: “Em Londres há dezenas de ‘drive-thrus’, há em todos os países europeus, há nos Estados Unidos e em Israel. Portanto, aquilo que nós apresentámos foi tecnicamente uma solução testada noutros países”.

De acordo com Moreira, a possibilidade proporcionou-se quando “apareceu um operador que nós [na autarquia] conhecíamos, a Unilabs — com quem tínhamos montado anteriormente o centro de testagem também no Queimódromo e que funcionava bem —, que se propôs oferecer esse serviço” gratuito de vacinação no centro ‘drive thru’.

“É bom notar que este centro de vacinação não é da Câmara do Porto. É um centro que a CMP organizou em termos logísticos, mas é um centro de vacinação do ACES Ocidental com quem temos vindo a colaborar”, frisou Rui Moreira. “Nós disponibilizamos o recinto do Queimódromo, a limpeza e a iluminação, o policiamento permanente e também uma ambulância dos bombeiros”, esclareceu.

“A Câmara do Porto vai continuar a disponibilizar os meios para que este centro continue a vacinar”

O autarca sustentou igualmente que “a Unilabs foi certificada para fazer este serviço, não faturou nada à Câmara, não faturou nada ao Ministério da Saúde e, portanto, parecia e parece ser uma boa solução”. Além disso, o edil referiu que, “entre 8 de julho e 11 de agosto, foram lá vacinadas 12.500 pessoas”.

Moreira advoga que a falha ocorrida “é um problema que já aconteceu noutros centros de vacinação”, apontando que “em Portugal já se perderam cerca de 20 mil vacinas por causa de situações ligadas à temperatura” de armazenamento. É por isso que, afiança, “a Câmara Municipal do Porto vai continuar a disponibilizar, enquanto for necessário e considerado útil, os meios para que este centro continue a vacinar”, desde que “as condições de segurança estejam asseguradas”.

“Parece-nos normal e razoável que, depois de apurado o problema e retificados os protocolos, o centro de vacinação volte a funcionar”, concluiu.