Política

PSD recua e já não vai ao congresso do Chega. "Há limites de decência e bom senso"

30 maio 2021 13:49

Rita Dinis

Rita Dinis

Jornalista

manuel fernando araujo/lusa

O líder do PSD era para se fazer representar por Maló de Abreu no congresso do Chega, em Coimbra, mas recuou "perante a forma e o conteúdo como o líder do Chega se referiu ao PSD" durante o encontro. "Há limites de decência e bom senso", diz o PSD em comunicado.

30 maio 2021 13:49

Rita Dinis

Rita Dinis

Jornalista

O PSD era para estar representado no congresso do partido de André Ventura este domingo, em Coimbra, mas afinal não vai estar presente. Num comunicado enviado às redações, o PSD de Rui Rio esclarece que o recuo se deve à forma como o líder daquele partido se referiu ao PSD nos discursos deste fim de semana. Ventura apelidou Rio de "um muito mau líder do PSD" e acusou-o de ser "servente do PS".

"Em face do conteúdo e da forma como o líder do Chega se referiu nas suas intervenções ao PSD, o PSD decidiu não se fazer representar na cerimónia para a qual estava convidado", lê-se no comunicado, onde o partido começa por explicar que aceitou o convite inicial porque "é esta atitude que a direção do PSD entende dever tomar relativamente a todos os partidos com assento parlamentar, da direita à esquerda".

Tratando, por princípio, o Chega como um partido igual aos outros, o PSD estaria representado este domingo em Coimbra pelo vogal da direção de Rui Rui, António Maló de Abreu, assim como por dois membros da comissão política distrital do PSD de Coimbra. Mas nenhum deles vai estar presente.

Rui Rio afirma ainda que "é óbvio" que há "muitíssimas diferenças entre o Chega e o PSD", pelo que, em democracia, ninguém "pode estranhar" que essas diferenças sejam vincadas, sobretudo num contexto de congresso partidário, que é o momento por excelência para o fazer. "Nós próprios sempre o fizemos em todos os nossos congressos relativamente aos nossos adversários políticos", diz Rui Rio na nota emitida.

Acontece que "há limites que a decência e o bom senso não permitem que possam ser ultrapassados", diz. E esses limites, quer na forma quer no conteúdo, "foram ignorados pelo líder do Chega, tal como é seu timbre".

Rui Rio, que na semana passada marcou uma posição política ao aceitar, pela primeira vez, participar na convenção do Movimento Europa e Liberdade, conhecida por 'congresso das direitas', onde participou também André Ventura, volta assim a demarcar-se do líder daquele partido. "O presidente do Chega é livre de adotar a forma, o conteúdo e a teatralização política que achar que melhor lhe convém, mas o PSD também é livre para escolher a resposta que entende como mais adequada às opções seguidas pelos seus avdersários", termina.

Já na sexta-feira, na sequência do primeiro dia de trabalhos do congresso do Chega, Rui Rio tinha apelidado o discurso de Ventura de não ser mais do que um "sonho megalómano" e parte de um "folclore político". Foi na sessão de abertura dos trabalhos que Ventura deu o mote para o que seria a tónica política de todo o congresso: quer que o Chega comece nas autárquicas um crescimento que se traduza em 10 a 15% dos votos nas legislativas, peso suficiente para "exigir" a Rui Rio a entrada num governo de direita. Sobre Rio, Ventura não só disse que era um "muito mau líder do PSD", como um "servente do Partido Socialista".

Na moção que apresentou ao Congresso, Ventura deixou claro que não quer ser "uma espécie de Bloco de Esquerda" 'à direita' porque não se quer limitar ao lugar de partido de protesto. Daí que afirme que não tenciona viabilizar um governo de Rio se não tiver poder "efetivo" para mudar áreas chave da governação. Se não for para isso, prefere estar na oposição ao PS -- é "menos nocivo" para o partido. Agora, Ventura pede uma "maioria clara" ao Congresso para lhe dar luz verde para enveredar por essa estratégia política. As votações para os órgãos de direção já decorreram -- falta a Mesa anunciar os resultados.