Política

Manuel Salgado é constituído arguido e pede demissão a presidente da Câmara de Lisboa. Fernando Medina aceitou

11 fevereiro 2021 11:25

antónio pedro ferreira

O processo judicial em que Salgado foi constituído arguido está relacionado com a aprovação do Hospital CUF Tejo. “Entendo que este é o procedimento correto a adotar, sem que isso envolva o reconhecimento da prática de qualquer ato ilícito, que rejeito veementemente”, esclarece o ex-vereador do Urbanismo numa carta enviada a Fernando Medina. Salgado presidia à Sociedade de Reabilitação Urbana de Lisboa Ocidental desde que deixou a vereação

11 fevereiro 2021 11:25

Manuel Salgado pediu a demissão da liderança do Conselho de Administração da empresa municipal Sociedade de Reabilitação Urbana de Lisboa Ocidental (SRU). Em carta endereçada ao presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, o responsável justifica o pedido com a sua constituição como arguido no âmbito de uma investigação sobre o impacto na paisagem do Hospital CUF Tejo enquanto era vereador do pelouro do Urbanismo e Reabilitação Urbana.

“Entendo que este é o procedimento correto a adotar, sem que isso envolva o reconhecimento da prática de qualquer ato ilícito, que rejeito veementemente”, esclarece Manuel Salgado na carta a que o Expresso teve acesso. “Será em sede própria, no momento oportuno, e pelos meios que se encontram ao meu alcance, que me irei defender, repor a verdade dos factos e reagir contra atentados à minha honra e bom nome”, prossegue na missiva com a data de 12 de janeiro.

O ex-vereador do Urbanismo presidia à SRU desde que deixou a vereação. O processo judicial em que foi constituído arguido está relacionado com a aprovação do Hospital CUF Tejo, em Alcântara.

“Se fosse hoje, não o teria aprovado”

Na ata da reunião da Câmara de Lisboa desta quinta-feira, Fernando Medina confirma ter recebido a carta de demissão e ter aceitado o pedido. “Fi-lo na compreensão dos motivos pessoais invocados, mas com a relutância e tristeza de saber que esta também não decorre de qualquer obrigação legal ou ética – muito menos do reconhecimento de qualquer incorreção – mas sim da profunda degradação que o debate no espaço público atingiu”, acrescentou o presidente da autarquia.

Medina sublinhou que a Câmara de Lisboa “sempre colaborou de forma ativa, como é sua obrigação, no exigente acompanhamento que o Ministério Público fez deste específico projeto”. “Deste acompanhamento, sublinhe-se, não resultou qualquer decisão ou indicação de não prosseguimento da obra nos termos aprovados, nem qualquer indicação de necessidade de correção de qualquer desses termos”, disse ainda.

Quando se demitiu da vereação em 2019, Salgado chegou a reconhecer, em entrevista ao Expresso, que a volumetria do Hospital CUF Tejo era excessiva e que à data não o teria aprovado. “É preciso reconhecer que não resultou. O seu impacto volumétrico é excessivo. Se fosse hoje, não o teria aprovado”, afirmou então. Salgado era responsável pelo pelouro do Urbanismo desde 2007. Dias depois de ter abandonado o cargo, a Câmara de Lisboa aprovou, com nove votos a favor e oito contra, a reeleição do arquiteto como presidente do Conselho de Administração da SRU.