Política

Ferro Rodrigues "perplexo" por não se ter visto outra ação nos lares

Ferro Rodrigues "perplexo" por não se ter visto outra ação nos lares
MIGUEL A. LOPES/LUSA

O presidente da Assembleia da República quer processo de vacinação mais rápido. Ferro Rodrigues diz que não compreende como ainda se falou de mudar a Constituição para adiar as eleições.

“A crítica a aspetos pontuais da [gestão da] pandemia é perfeitamente legítima" e por Ferro Rodrigues não a deixou por mãos alheias. O Presidente da Assembleia da República mostrou "perplexidade" pela gestão que está a ser feita nos lares.

"Tive ocasião de mostrar a minha perplexidade - que continua, devo dizer - sobre o facto de, depois de uma primeira onda em que houve tantas vítimas no lares, não se ter visto uma ação organizada, quase militarizada, de apoio às pessoas que trabalham nos lares para idosos, e de controlo das famílias nas visitas, com testes rápidos", disse numa entrevista ao podcast do PS, "Política com palavra".

O tiro que acerta em cheio em Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, não foi o único. Ferro Rodrigues quer também saber o que se passa com o plano de vacinação: "Em relação às vacinas, é preciso compreender porque é que o ritmo de vacinação não é bastante mais forte do que aquele que é neste momento", afirmou.

A entrevista do número dois da hierarquia do Estado acontece em plena campanha eleitoral. Ferro Rodrigues, apoiante convicto de Marcelo Rebelo de Sousa, pede à Comissão Nacional de eleições que seja mais ativa no apelo ao voto. “O que me parece muito fraco, e devia ser muito mais forte, é o apelo geral para a votação e mobilização para as presidenciais. E aí, a Comissão Nacional de Eleições devia ter um papel muito ativo, um papel de promoção das eleições bastante mais forte do que tem tido até agora", reforçou.

A questão do adiamento das eleições presidenciais chegou a colocar-se, mas Ferro Rodrigues diz que não "lhe entra na cabeça" como é que se chegou a falar em mudanças da Constituição em 48 horas.

Se as críticas foram distribuídas, os elogios foram concentrados em Marcelo Rebelo de Sousa que considera ter tido um "comportamento exemplar" para com a "geringonça" e que por isso considera que "seria uma aventura" se não continuasse como Presidente da República ainda para mais "neste contexto".

Isto apesar de Marcelo não ser sempre um defensor do Governo e de ter fragilizado, sobretudo nas últimas semanas, alguns ministros. "É óbvio que o Presidente da República não pode ter uma posição apenas de seguidismo em relação ao Governo. Quando tem uma posição crítica em relação ao Governo, ou a este ou aquele ministro, deve transmitir, e sei que transmite sempre primeiro ao primeiro-ministro, e só depois publicamente", referiu.

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