Política

Ventura propõe deportação de Joacine, Livre lamenta (e a deputada fica em silêncio para já)

28 janeiro 2020 17:53

joão relvas

André Ventura pede a deportação da deputada - que é portuguesa - numa reação à proposta de alteração do Orçamento do Estado apresentada pelo Livre, que pede que o património das ex-colónias expostos em museus seja devolvido às comunidades de origem

28 janeiro 2020 17:53

André Ventura usou as redes sociais para pedir a deportação de Joacine Katar Moreira. Numa publicação na sua página pública de Facebook, o líder do Chega! pede que a deputada eleita pelo Livre seja “devolvida ao seu país de origem”, considerando que isso traria “tranquilidade” para o país e para o próprio Livre.

Contacto pelo Expresso, a assessoria da deputada disse que não iria comentar o assunto. Já o Livre, através de um comunicado, criticou os “contínuos ataques de carácter e referências de índole racista e sexista por parte de deputados e dirigentes partidários da direita, nomeadamente do CDS-PP e do partido de extrema-direita ‘Chega’.

“O LIVRE não pode deixar de repudiar veementemente esses ataques e o uso de uma linguagem depreciativa e difamatória, que perpetua estigmas racistas e sexistas na sociedade portuguesa”, pode ler-se. “As divergências políticas não podem dar lugar nunca a manifestações discriminatórias, ainda mais por representantes eleitos para a Assembleia da República e por responsáveis políticos e partidários. O LIVRE está e estará sempre na linha da frente no combate a todas as discriminações e repudia as declarações sexistas e deselegantes de Francisco Rodrigues dos Santos e as palavras deploráveis e racistas de André Ventura, deputado da extrema-direita portuguesa.”

A única deputada eleita pelo Livre nasceu há 37 anos na Guiné-Bissau, de onde saiu aos oito. Desde então vive em Portugal e tem nacionalidade portuguesa.

O comentário de André Ventura surge com a partilha de um texto do “Jornal de Notícias” sobre a proposta de alteração do Orçamento do Estado apresentada pelo Livre que pede que o património das ex-colónias expostos em museus seja devolvido às comunidades de origem. Ou seja, o património das ex-colónias portuguesas que esteja atualmente na posse de museus e arquivos nacionais deve ser identificado, reclamado e restituído às comunidades de origem.

O Livre apresentou ao executivo 32 propostas de alteração ao documento e anunciou esta segunda-feira que 11 dessas propostas já têm “sinalização positiva” por parte do Governo.