Política

Rangel: Marcelo deve alertar Costa para "promiscuidades familiares" no Governo

23 março 2019 9:54

paulo novais

Em entrevista à Lusa, o cabeça de lista do PSD às europeias defendeu que a existência de vários casos de ligações familiares em gabinetes de governantes de António Costa "não é normal"

23 março 2019 9:54

O cabeça de lista do PSD às europeias, Paulo Rangel, defende que o Presidente da República já devia ter avisado o primeiro-ministro para não repetir o que chama de "promiscuidades familiares" no Governo.

Em entrevista à agência Lusa, Rangel considerou que a existência de vários casos de ligações familiares em gabinetes de governantes de António Costa "não é normal e constitui um atentado gravíssimo ao princípio republicano".

"No Conselho de Ministros, tem um marido e mulher, um pai e filha. Tem agora uma chefe de gabinete do sucessor do marido, cuja mulher também gere um fundo...", criticou, referindo-se respetivamente aos ministros Eduardo Cabrita e Ana Paula Vitorino, José Vieira da Silva e Mariana Vieira da Silva, Pedro Nuno Santos e ao secretário de Estado Duarte Cordeiro.

Rangel elencou ainda a recente eleição de Francisco César para liderar a bancada socialista nos Açores, filho de Carlos César, que dirige o grupo parlamentar do PS na Assembleia da República, ou o facto de o irmão da secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, também integrar o Governo, como secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, entre outros casos "de primos e cunhados".

"Que as pessoas em Portugal não rasguem as vestes e não se escandalizem com isto é sinal de uma certa doença e de um adormecimento da democracia", afirmou, criticando o papel da comunicação social, mas também o do chefe de Estado.

"Eu acho que aqui o próprio Presidente da República, que desvalorizou o caso, não devia desvalorizar, não é salutar para a democracia", defendeu.

"Não se conhece pensamento europeu a Pedro Marques"

Em entrevista à Lusa, Paulo Rangel afirma que "não conhece pensamento europeu ou uma ideia para a Europa" ao seu adversário do PS Pedro Marques, ao contrário dos anteriores 'número um' socialistas.

Questionado qual o adversário mais fácil, entre os três cabeças de lista do PS que já enfrentou (Vital Moreira em 2009, Francisco Assis em 2014 e, agora, Pedro Marques), Rangel recusou entrar em 'rankings', mas deixou críticas ao atual 'número um' da lista do PS.

"Há uma coisa que é certa: Vital Moreira e Francisco Assis tinham pensamento sobre a Europa, Pedro Marques não tem. Francisco Assis e Vital Moreira, discordando eu deles em muitos aspetos, sempre se notabilizaram por exercerem os seus cargos com competência", afirmou.

Ao contrário, considerou, Pedro Marques foi ministro do Investimento, área que "está no grau mais baixo de sempre", criticando também a execução dos fundos comunitários sob a sua alçada, bem como o discurso do PS nesta matéria.
Rangel, que tem acusado o seu adversário socialista de "fugir aos debates", disse ainda ter "esperança" num frente a frente com Pedro Marques.