Opinião

Parem lá de chamar racista ao racista

Ele quer que se saiba e espera ganhar com isso

Não é por matar o mensageiro que se altera a mensagem. Desculpe-se a lapalissada, mas anda por aí muita gente distraída, na política e na Comunicação Social.

Nas tribunas e nos jornais, há quem se delicie, e julgue estar a prestar um bom serviço, ao adjetivar os populistas de extrema-direita de xenófobos, racistas, homofóbicos e misóginos. Apontam-lhes o dedo por defenderem castrações químicas ou mesmo físicas, como se isso afetasse os homens que querem parecer de barba rija e cortar os males pela raiz. Denunciam o apelo que fazem ao regresso da prisão perpétua ou mesmo da pena de morte, quando a repressão e a falta de humanidade estão entre os seus valores.

De nada serve ignorar que há muito mais de 10 por cento de portugueses que não gostam de ciganos, de africanos e asiáticos, que são homofóbicos e reagem mal a tudo o que é diferente. Até o citam – à exaustão – a dizer que fala com Deus, num país onde aconteceu Fátima. E quanto mais difícil e incerta estiver a vida, mais serão. A extrema-direita ainda tem muito campo para recrutar.

Dizer que ela é o que é, sem mostrar como é criminoso sê-lo, é dar-lhe notoriedade e aliciar incautos para campo errado.

Recordar que os populistas são por sistema contra o sistema, sem mostrar como é retrógrado e desumano o sistema que defendem, só os alimenta com quem faz leituras primárias dos defeitos da democracia que só a democracia permite apontar. Servem-se do sistema para o atacar.

Ninguém sabe como resolveriam os problemas mais básicos da sociedade humanista e, pior, ninguém os confronta. Eles gritam, berram, não têm vergonha e a gente de bem compraz-se a dizer que o fazem. Não chega. Assim só engordam. A História tem muitos exemplos a provar que atacar os propagandistas é fazer-lhes propaganda.

De pouco serve denunciar atrocidades se não se repudiarem as atrocidades. Não é fácil criar sentimentos antirracistas ou anti-homofóbicos ou anti-humanista, ou de quão injusta é a desigualdade a quem nunca se sentiu discriminado.

Aqui deveria estar a prioridade. De pouco vale dizer que alguém vai por mau caminho a quem nem percebe muito bem que lhe estão a apontar uma via tortuosa.

As ideias não desaparecem por desaparecer quem as defende. Por norma, até crescem. Ressuscitam, como se vê.



Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: garciajadag@gmail.com

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