Opinião

O MPLA tem de se preparar para ver a UNITA no poder. E Portugal também

29 agosto 2022 9:35

Depois do trauma de 1992, a UNITA, que não reconheceu o resultado, sabe que dar espaço a reações repressivas a atiraria para o buraco de onde acabou de sair. Mas, encerrado o processo eleitoral, é altura de Portugal passar a ter relações com Angola que não denunciem favoritismo. Porque as coisas vão mudar

29 agosto 2022 9:35

Angola não é os Estados Unidos ou sequer o Brasil, onde a contestação global de resultados eleitorais dificilmente pode ser levada a sério. O Estado e o partido do poder confundem-se – até a bandeira do país e do partido se confundem. Foi um regime de partido único e a democracia é, por enquanto, pouco mais do que uma formalidade escrita. É quase um milagre o partido que domina todo o aparelho de Estado permitir eleições com alguma liberdade. É virtualmente impossível os resultados eleitorais corresponderem, por agora, ao que realmente aconteceu nas urnas. Isto até pode ser visto com algum pragmatismo. A construção da democracia é um processo que leva tempo. E Angola está a fazer esse caminho, como tantos outros fizeram.