Longevidade

Estilo de vida e prevenção: é preciso “pensar seriamente sobre a forma como envelhecemos”

15 novembro 2022 17:09

Pedro Graça (diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto) e Nuno Marques (presidente do Observatório Nacional do Envelhecimento), num dos painéis moderados pelo diretor-adjunto do Expresso, Martim Silva

ana brigida

Decorreu nesta terça-feira mais uma webtalk sobre os desafios associados ao aumento da longevidade

15 novembro 2022 17:09

A importância de uma alimentação saudável, a prevenção e literacia em saúde e a sustentabilidade do sistema de pensões foram alguns dos temas debatidos na webtalk desta terça-feira no âmbito do projeto do Expresso dedicado à longevidade.

Organizada em três painéis, a sessão foi moderada pelo diretor-adjunto do Expresso, Martim Silva, e contou com a participação de Pedro Graça (diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto), Nuno Marques (presidente do Observatório Nacional do Envelhecimento), Elisabete Ramos (investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade de Porto), Maria João Luís (CEO da Multicare), Carlos Lobo (antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais) e Rui Martins (economista da saúde).

Estas foram as principais ideias abordadas:

Alimentação

Pedro Graça começou por destacar o impacto da “alimentação inadequada” na saúde – o excesso de peso afeta 60% da população portuguesa. O estilo de vida, incluindo não só a alimentação mas também o consumo de tabaco e o sedentarismo, está associado a uma “cascata de doenças”, como diabetes, hipertensão e doença oncológica.

É necessário tornar mais baratos e acessíveis os alimentos saudáveis, em contraste com aqueles que têm excesso de açúcar, sal ou conservantes. Pedro Graça realçou ainda a “quase irrelevância” dos impostos sobre as bebidas alcoólicas em Portugal, o que torna o seu consumo “fácil e barato”. Nuno Marques lançou um desafio: a criação de um “caderno de encargos” nacional sobre alimentação saudável.

Elisabete Ramos (investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto) e Maria João Luís (CEO da Multicare)

Elisabete Ramos (investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto) e Maria João Luís (CEO da Multicare)

ana brigida

Prevenção

Em relação às prioridades na área da saúde, Elisabete Ramos apontou a necessidade de criar condições para um envelhecimento saudável – caso contrário, a despesa será “incomportável” – e sublinhou a existência, pela primeira vez, de uma secretaria de Estado da Promoção da Saúde.

Para Maria João Luís, a responsabilidade nesta área deve ser repartida entre os indivíduos e o coletivo, ao nível das organizações: as empresas deveriam ser “verdadeiros promotores da saúde dos seus colaboradores” e incentivar e premiar comportamentos saudáveis.

O antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo

O antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo

ana brigida

Sustentabilidade

É preciso “começar a pensar seriamente sobre a forma como envelhecemos”, defendeu Rui Martins, sublinhando que “envelhecer não é sinónimo de estar doente”. Para o economista da saúde, o aumento das contribuições para a segurança social e da idade da reforma vai ser “necessário à sustentabilidade” do sistema de pensões.

Já o antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo, não vê “a insustentabilidade como uma fatalidade”, mas encara a situação como uma oportunidade, caso haja uma alteração de política, nomeadamente uma abertura de fronteiras para que mais estrangeiros cheguem ao país, de forma a “angariar mais capacidade de trabalho”.