Isabel II

Duques de Iorque ficam com os cães de Isabel II. Mas não são os corgis reais que aparecem na foto que anda a comover a Internet

12 setembro 2022 15:47

Isabel II com o dorgi Candy em fevereiro de 2022, mês em que completou 70 anos de reinado

steve parsons/wpa/getty images

Filho mais controverso da rainha falecida herda os seus amigos caninos. Foi ele, aliás, quem lhos ofereceu. Quanto à imagem que emocionou os internautas este fim de semana, tem quase 30 anos

12 setembro 2022 15:47

Prova do amor que Isabel II tinha pelos seus cães, quase sempre de raça corgi — também teve alguns dorgi, cruzamento daquele com daschund —, a soberana britânica desaparecida a 8 de setembro levava-os a passear praticamente até ao fim da vida. Ainda este ano era vista nessa atividade nos jardins de Frogmore, perto do castelo de Windsor, lugar que considerava “maravilhosamente relaxante”.

A rainha tinha, à hora da sua morte, quatro cães, dos quais só dois são corgis. Não se trata, pois, dos quatro animais que surgem numa foto que fez furor nas redes sociais durante o fim de semana passado. A imagem, que suscitou comentários profundos sobre a suposta tristeza dos animais (como a que pode ver-se no tweet reproduzido abaixo), data afinal de 1993. Mostra os cães da rainha-mãe a serem retirados de um avião carregados por funcionários vestidos de preto.

A foto mostra, de facto, um regresso normal e trivial a casa, em Londres, depois de férias na Escócia. A dona daqueles cães só viria am morrer em 2002.

Voltando agora a 2022, os canídeos que Isabel II deixou foram entregues ao príncipe André, seu terceiro filho e também o mais polémico dos quatro. Envolvido num escândalo devido à sua amizade com o milionário americano Jeffrey Epstein, que encabeçava uma rede de abuso sexual de menores e morreu na cadeia em 2019, André viu-se afastado de funções oficiais.

Acontece que foi ele quem ofereceu os últimos cães à progenitora. Já nonagenária, a chefe de Estado decidira deixar de ter cães, por não querer deixar nenhum para trás quando morresse. No entanto, em 2021, durante o confinamento, o filho trouxe-lhe dois, encontrados pela sua ex-mulher, Sarah Ferguson. Esta continua a viver com André em Windsor, 26 anos depois de se terem divorciado.

Capa da revista “Vanity Fair” em 2016

Capa da revista “Vanity Fair” em 2016

d.r.

Presente dos 18 anos

A primeira corgi que Isabel II teve foi Susan, que os pais — o rei Jorge VI e a sua mulher, Isabel Bowes-Lyon, conhecida durante o reinado da filha como a rainha-mãe — lhe deram pelos seus 18 anos, em 1944. A ainda princesa gostava muito de Dookie, o corgi do pai, e pedira para ter um. Entre os mais de 30 cães que teve ao longo da vida, muitos eram descendentes de Susan.

O último dessa linhagem foi Willow, que morreu em 2018. Sobraram então à monarca dois dorgis, Candy e Vulcan, desaparecido em 2020 após ter aparecido na capa da revista “Vanity Fair” ao colo da rainha. Isabel escolhera não fazê-los procriar, para que nenhum cão lhe sobrevivesse.

Os corgis da rainha passaram a fazer parte da cultura popular e até já foram tema de um filme de animação, em 2019, com o título “Cai na Real, Corgi”. As aventuras dos bichos incluem uma visita oficial a Londres do então Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em 2021, porém, foi “uma alegria constante” passar a ter os novos cães cães ofertados por André, contou a estilista da rainha, Angela Kelly. Isabel chamou-lhes Fergus e Muick, o primeiro em homenagem a um seu tio morto na I Guerra Mundial, o segundo batizado com o nome de um lago em Balmoral. Doente cardíaco, Fergus durou apenas cinco meses. Mas o filho depressa o substituiu por outro, de nome Sandy, quando Isabel fez 95 anos.

São os corgis Muick e Sandy, o dorgi Candy e ainda e o springer spaniel Lizzie que vão viver com André e Sarah. A duquesa de Iorque (título que continua a usar) chegou a passear os cães com a rainha, escreve “The Telegraph”, próximo do palácio. “A duquesa partilhava com Sua Majestade os passeios com cães e o montar a cavalo. Mesmo depois do divórcio, manteve uma grande amizade com Sua Majestade. Iam passear os cães em Frogmore e conversavam”, diz a fonte citada pelo jornal londrino.

Ferguson voltou a passar verões com a família real em Balmoral, na Escócia, em 2021, depois da morte do príncipe Filipe, marido de Isabel II. Este não lhe perdoava o escândalo causado em 1992, quando — estando a família de férias na residência escocesa — foram publicadas fotografias de ‘Fergie’ com um amante, John Bryan, que lhe chupava os dedos dos pés. Sem a objeção de Filipe, a duquesa esteve em Balmoral com as filhas, Beatrice e Eugenie.

Durante a celebração dos 70 anos de reinado de Isabel II, um espetáculo luminoso com drones formou a cabeça de um corgi por cima do palácio de Buckingham

Durante a celebração dos 70 anos de reinado de Isabel II, um espetáculo luminoso com drones formou a cabeça de um corgi por cima do palácio de Buckingham

joe giddens/pa images/getty images

Em junho passado, durante o Jubileu de Platina de Isabel II (festa dos 70 anos de reinado), houve um espetáculo luminoso com drones a seguir a um concerto na praça diante do palácio. Entre as figuras desenhadas no céu pelos aparelhos voadores estiveram o perfil da rainha, a sua mala, o bule de chá e, não podia deixar de ser, um corgi.

Desde a morte da soberana, muitos dos que se deslocam aos locais onde lhe está a ser prestada homenagem levam consigo cães da mesma raça. Também são omnipresentes entre os souvenirs vendidos em lojas para turistas em todo o Reino Unido.