Internacional

Inteligência artificial aterrou com estrondo na política mundial: ver já não garante que se possa crer

8 janeiro 2023 23:36

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Construção de uma imagem deepfake de Vladimir Putin

alexandra robinson/getty images

Os conteúdos falsos têm muitas hipóteses de ser disseminados em larga escala antes de o público ser esclarecido e de eles serem retirados das redes por onde circulam

8 janeiro 2023 23:36

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

No “universo deepfake”, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, já se rendeu a Vladimir Putin, a speaker da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosy, já discursou embriagada e a presidente da Câmara de Berlim, Franziska Giffey, entabulou uma hora de “conversa normal”, via Zoom, com o seu homólogo de Kiev, Vitaly Klitschko, sem desconfiar da idoneidade do diálogo até Klitschko lhe pedir apoio para realizar uma parada gay em junho, altura em que a capital ucraniana se encontrava debaixo de violento fogo russo.

É fácil analisar episódios passados quando já foram identificados como deepfakes estes vídeos manipulados, altamente realistas e gerados por inteligência artificial (IA). É uma tecnologia acessível que tem vários graus de sofisticação e cuja utilização é de largo espetro. Podem imaginar-se utilizações positivas de deepfake na indústria de entretenimento, por exemplo, porém é um óbvio poderoso instrumento de desinformação. Neste caso, acresce o risco de disseminação imediata de vídeos falsos, imagens comprometedoras, abusivas ou fraudulentas, se tiverem sido usadas fontes próximas ou credíveis que garantam partilhas ulteriores. Quem espalha deepfakes ou outro tipo de desinformação conta com a credibilidade de que gozam as fontes utilizadas.