Internacional

Lula é o último Presidente do Brasil a tomar posse a 1 de janeiro. Bolsonaro deixou o país e falta à cerimónia

1 janeiro 2023 13:18

Lula e Alckmin celebraram a vitória na segunda volta das presidenciais, a 30 de outubro

nelson almeida/afp/getty images

Jair Bolsonaro saiu do Brasil para não assistir à posse presidencial do seu sucessor. Um gesto inédito desde o fim da Ditadura Militar que fica entre um eventual despeito pela derrota e o receio de ser preso. Polémico até ao fim, Bolsonaro escolheu o vazio da ausência e não vai cumprir o ritual de passagem da faixa presidencial

1 janeiro 2023 13:18

A cerimónia de posse do Presidente foi rápida e não houve discursos nem festas. O Presidente eleito Tancredo Neves acabara de ser hospitalizado na “madrugada mais lenta da história” do Brasil republicano e, inesperadamente, o vice-presidente José Sarney assumiu a presidência. Mas o 30º chefe de Estado do Brasil que deveria entregar a faixa presidencial ao democrata Tancredo Neves tinha uma péssima opinião de José Sarney, e recusou-se a cumprir o ritual instituído pelo 8º Presidente do Brasil, Hermes da Fonseca (1910-1914).

Catorze anos depois, em 1999, o general João Baptista Figueiredo – último chefe de Estado da Ditadura Militar brasileira, que exerceu o cargo entre 1978 e 1985 – disse à revista IstoÉ [citada pela Folha de São Paulo] o que pensava de Sarney: "Sempre foi um fraco, um carreirista. De puxa-saco passou a traidor. Por isso não passei a faixa presidencial para aquele pulha. Não cabia a ele assumir a Presidência".

Sarney foi empossado a 15 de março de 1985 como 31º Presidente do Brasil e cumpriu um mandato de cinco anos, até ser substituído por Fernando Collor de Mello a 15 de março de 1990.

Tancredo nunca voltou à política e morreria pouco depois de Sarney assumir a presidência sem ser eleito.

Bolsonaro abandonou o posto no avião presidencial

Bolsonaro nunca poderá poderá dizer que não passou a faixa a Lula da Silva por ele ser um “puxa-saco” como Figueiredo disse de Sarney. Há quatro anos, quando Jair Bolsonaro tomou posse como 38º Presidente do Brasil, a comentadora política Córa Ronai disse ao Expresso que o seu Governo era “o triunfo do baixo clero”.

Num gesto inédito na democracia brasileira, o ainda Presidente Jair Bolsonaro abandonou o Palácio da Alvorada dois dias antes do seu sucessor ser empossado, “e embarcou no avião presidencial rumo aos Estados Unidos. Por volta das 17h, a aeronave pousou no Aeroporto Internacional de Boa Vista, em Roraima, para abastecer. Pouco depois das 19h, já havia deixado o espaço aéreo do Brasil, com destino a Orlando, na Flórida, onde aterrissou por volta das 23h", lê-se no Globo.

As notícias da imprensa brasileira revelam que Bolsonaro abandonou o seu local de trabalho dois dias antes de cessar funções, num avião pago pelo Estado brasileiro.

Um mês antes, Bolsonaro tinha dito que passaria a faixa presidencial a Lula da Silva (ver vídeo acima), e que depois disso se iria recolher: “Na minha idade não tenho mais nada a fazer”.

Algo fez o 38º Presidente do Brasil mudar de ideias porque, na antevéspera da posse do seu sucessor, Lula da Silva, Bolsonaro já estava na Flórida, de onde fez uma comunicação em direto na sua página de Facebook, sem mencionar por que motivo não iria assistir à posse presidencial como faz parte da tradição democrática e republicana do Brasil.

Bolsonaro aproveitou a preleção feita nas redes sociais para criticar os convites feitos a algumas delegações estrangeiras que vão estar este domingo em Brasília para assistirem à posse de Lula da Silva. “Vocês estão vendo quem deve comparecer aqui domingo, lá na Presidência por ocasião da posse. Os nomes dos chefes de Estado aqui da nossa região. O Maduro vai se fazer presente, o Boric, o Ortega. Isso é um mau sinal, onde esse pessoal assumiu, o país ficou piorou”. A intervenção de Bolsonaro pode ser lida na íntegra AQUI.

A partir deste domingo, 1 de janeiro de 2023, Jair Bolsonaro é um cidadão sem imunidade presidencial que pode ter enfrentar vários processos judiciais.

Posse de Lula começa às 13h45 em Brasília (16h45 em Portugal)

Marcelo Rebelo de Sousa e Felipe VI de Espanha são dois dos chefes de Estado que assistem em Brasília à posse de Lula da Silva pela terceira vez.

O ex-primeiro ministro português José Sócrates também comparece na qualidade de convidado pessoal de Lula, como o Expresso noticiou em primeira mão.

O ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro a tomar posse a 1 de janeiro e Lula será o último. Em 2027, a pessoa que for eleita para a chefia do Estado brasileiro, será empossada a 5 de janeiro, como explica a página do Senado brasileiro que contém todas as informações sobre a cerimónia de 1 de janeiro de 2023.

Fernando Henrique e Lula foram também os únicos Presidentes da democracia brasileira que cumpriram o mandato até ao fim e passaram a faixa aos seus sucessores. Dilma recebeu a faixa de Lula mas foi destituída, Temer passou a faixa a Bolsonaro mas não foi eleito Presidente.

O católico Lula da Silva irá à Catedral de Brasília como é da praxe e, pelas 14h40 locais (três horas mais em Portugal), o Presidente Lula da Silva e o seu vice-Presidente, Geraldo Alckmin, entram no Congresso Nacional, onde decorre a Sessão Solene de Posse Presidencial. Deixam o edifício pelas 16h20.

A par disso, o Festival do Futuro - A Alegria vai Tomar Posse ocupa a cidade e conta com a participação de perto de 40 artistas. As celebrações populares foram organizadas pela mulher de Lula, Rosângela Silva, e estão orçadas em 1,4 milhões de euros.