Internacional

A promessa de Lula: governar para 215 milhões de cidadãos brasileiros

1 janeiro 2023 21:40

Salomé Fernandes

Salomé Fernandes

jornalista da secção internacional

andre borges

Num discurso marcado por pausas emocionadas, o novo Presidente do Brasil reiterou acusações de que a atuação do anterior governo foi “criminosa” e chegou mesmo a dizer que consistiu em "genocídio". Ainda assim, Lula da Silva diz que é altura de olhar para o futuro e não para o “retrovisor de um passado de divisão”

1 janeiro 2023 21:40

Salomé Fernandes

Salomé Fernandes

jornalista da secção internacional

Depois de falar no Congresso Nacional, o Presidente brasileiro Lula da Silva dirigiu-se à população. Num discurso no Palácio do Planalto afirmou que vai governar para 215 milhões de brasileiros.

“Vou governar para 215 milhões de brasileiros e brasileiras e não apenas para quem votou em mim. Vou votar para todos e todas, olhando para o nossos luminoso futuro em comum e não pelo retrovisor de um passado de divisão e intolerância. A ninguém interessa um país em permanente pé de guerra ou uma família vivendo em desarmonia. É hora de reatarmos laços com amigos e familiares rompidos pelo discurso de odio e disseminação de tantas mentiras. Chega de ódio, fake news, armas e bombas”, discursou.

Uma das mensagens passadas pelo discurso foi de que o governo anterior agiu “de forma irresponsável e criminosa”, com destaque para a resposta à pobreza. “A volta da fome é um crime, o mais grave de todos cometido contra o povo brasileiro. A fome é filha da desigualdade que é a mãe do grande males que atrasam o desenvolvimento do brasil”, frisou Lula da Silva.

O discurso foi interrompido, com o Presidente a emocionar-se ao descrever situações de fome, desemprego e crianças fora da escola. Ao retomar a fala, criticou o fosso de rendimentos no país. “Filas nas portas dos açougues em busca de ossos para aliviar a fome e ao mesmo tempo filas de espera para compra de automóveis importados e jatinhos de particulares. Tamanho abismo social é um obstáculo à construção de uma sociedade verdadeiramente justa e democrática e de uma economia próspera e moderna”, disse.

Lamentando também situações de discriminação de minorias e com base no género, o novo Presidente do Brasil disse que serão criados novos ministérios, dedicados à igualdade racial, povos indígenas e às mulheres.

Lula acusa governo de Bolsonaro de “construção de um genocídio”

Lula da Silva rejeitou saudosismo mas alongou-se nos elogios às políticas desenvolvidas quando assumiu anteriormente o poder. “Infelizmente muito do que construímos em 13 anos foi destruído em menos da metade desse tempo”, acusou, frisando que a história “jamais perdoará” o legado deixado pelo anterior governo.

E voltou a tecer alegações de genocídio relativamente à atuação do governo anterior, à semelhança do discurso no Congresso. “Os grupos técnicos do gabinete de transição coordenado pelo meu vice Alckmin, que por dois meses mergulharam nas entranhas do governo anterior, trouxeram a público a real dimensão da tragédia. O que o povo brasileiro sofreu nesses últimos anos foi a lenta e progressiva construção de um verdadeiro genocídio”, acusou.

A maré de apoiantes reagiu gritando “sem amnistia”. Horas antes ,o novo Presidente declarou que quem tentou “subjugar a nação” a desígnios pessoais e quem errou “responderá por seus erros com direito a ampla defesa dentro do devido processo legal”. Note-se que a partir deste domingo, Jair Bolsonaro já não conta com imunidade presidencial, pelo que pode enfrentar processos judiciais.